Saltar para o conteúdo principal

Publicidade

Publicidade

 
  Siga a Folha de S.Paulo no Twitter
04/05/2004 - 13h31

Ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta é preso por desacatar senador

Publicidade

CAMILO TOSCANO
da Folha Online, em Brasília

O ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta (1997-2000) foi preso na tarde desta terça-feira por desacato à autoridade, após discutir com o senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), que preside a CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) do Banestado, instalada no Congresso. Ele depõe na superintendência da Polícia Federal e deve ser liberado após pagamento de fiança --o valor deve ser definido ao final da tarde.

Pitta foi convocado para depor após sua ex-mulher Nicéa Camargo afirmar que ele tinha contas no exterior, mas recusou-se a responder as perguntas relacionadas ao depoimento dela. "Eu me reservo o direito de manter o silêncio", afirmava o ex-prefeito.

Documentos apresentados por Nicéa apontam que ele movimentou US$ 1,5 milhão numa conta em Nova York (EUA). Outra conta em seu nome foi aberta na Suíça, mas os recursos foram transferidos para paraísos fiscais.

Desacato

Durante depoimento à comissão, Pitta bateu boca com Paes de Barros depois de ser questionado "se responderia a uma pergunta que o relacionasse a atos de corrupção".

Irritado, Pitta disse: "Se eu indagasse a Vossa Senhoria se o senhor continua batendo em sua mulher o senhor responderia?".

A resposta do ex-prefeito paulistano revoltou os congressistas. "Eu exijo respeito. Não bato em minha mulher, nem sou assaltante de cofres públicos", disse o senador com certa indignação.

Na tréplica, Pitta afirmou: "Eu também exijo respeito, porque estou na condição de depoente e não na condição de uma pessoa para sofrer o tipo de acusação que o senhor está colocando contra mim".

Na seqüência, o deputado Edmar Moreira (PL-MG), que integra a comissão, interveio e disse que Antero Paes de Barros "não podia permitir isso" e que deveria tomar uma medida enérgica.

O presidente da CPI suspendeu a sessão para decidir sobre o pedido do deputado. Discutiu qual providência tomar junto com outros integrantes da comissão. Em seguida, deu voz de prisão a Pitta por desacato à autoridade e suspendeu a sessão secreta que deveria continuar com o depoimento do ex-prefeito a portas fechadas.

Defensiva

Assim como fizera em depoimento na semana passada à comissão, Celso Pitta se negou hoje a responder se tinha contas no exterior. Na sessão anterior, ele havia recusado, por três vezes, a assinar um termo de compromisso para dizer a verdade.

Nesta terça-feira, Pitta respondia de forma evasiva e dizia não se lembrar de determinadas datas e nomes, como, por exemplo, o valor da obra da avenida Água Espraiada (atual avenida Jornalista Roberto Marinho), na zona sul da capital.

No entanto, disse se recordar de quando rompeu com seu padrinho na política, Paulo Maluf (1993-1996), também ex-prefeito de São Paulo. "Hoje, estamos politicamente rompidos, isso aconteceu em março de 1999", afirmou Pitta.

Sessão aberta

Na abertura dos trabalhos hoje, o presidente da CPI leu uma liminar conseguida no STF (Supremo Tribunal Federal) que obrigava o ex-prefeito paulistano a falar e que garantia que a sessão fosse aberta. A decisão, no entanto, dava a Pitta a prerrogativa de não responder a perguntas que julgasse revelar dados sigilosos sobre sua vida.

Ele havia respondido a nove das 48 perguntas feitas pelo relator, deputado José Mentor (PT-SP). As questões, no entanto, eram todas de domínio público, como o nome que ele usa para assinar cheques ou se conhecia algumas pessoas já investigadas pela CPI.
 

Publicidade

Publicidade

Publicidade


 

Voltar ao topo da página