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23/09/2005 - 09h55

Jeany Corner entrega agenda de telefones em depoimento à PF

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MARCELO SALINAS
da Folha de S.Paulo

A promotora de eventos Jeany Mary Corner, que ficou conhecida por organizar festas supostamente bancadas pelo publicitário Marcos Valério de Souza para políticos em Brasília, entregou ontem sua agenda telefônica durante depoimento à Polícia Federal em São Paulo.

Seu advogado João José Ramacciotti nega "peremptoriamente" que sua cliente agencie garotas de programa. A agenda entregue ontem conteria telefones de autoridades que costumam contratar seus serviços.
"Falou-se muito desta agenda e, para evitar ainda mais especulações sobre o que ela contém, a dona Jeany a entregou espontaneamente à Polícia Federal."

A promotora prestou depoimento de quatro horas e, segundo Ramacciotti, negou que tenha sido contratada por Valério e disse não conhecê-lo.
Ela afirmou que as duas festas que motivaram o inquérito, realizadas em 9 de setembro e 5 de novembro de 2003, na suíte presidencial do hotel Gran Bittar em Brasília, foram pagas pelo empresário Ricardo Penna Machado, ex-sócio de Valério na Multiaction.

A segunda festa, segundo Machado disse à PF em agosto, seria uma "recepção surpresa" para celebrar o aniversário do ex-secretário-geral do PT Silvio Pereira, que não teria comparecido. Em nota divulgada em agosto, Valério negou que tivesse "colaborado ou financiado festas para políticos com participação de garotas de programa".

Ontem, o advogado negou que Jeany tenha trabalhado para autoridades de Brasília. "A dona Jeany não citou nome de nenhum parlamentar no depoimento. Até porque ela não sabe quem participava dessas festas. Ela não as acompanhou."

Ramacciotti não soube dizer o número de recepcionistas que trabalharam nas festas, mas afirmou terem sido "de dez a 20". Também não soube informar o custo total dos serviços, mas disse que "cada recepcionista custa R$ 150". Comida e bebida são cobradas à parte, disse.

Em seu depoimento à PF, Machado, que afirmou ter patrocinado as festas a mando de Valério, declarou ter pago R$ 27 mil.

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