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03/03/2005 - 10h56

Objeto desconhecido intriga astrônomos

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SALVADOR NOGUEIRA
da Folha de S.Paulo

Os cientistas operavam o conjunto de radiotelescópios, apontando-o na direção do centro da Via Láctea, quando captaram um forte disparo em uma freqüência de rádio. O sinal permaneceu forte por dez minutos. Então sumiu.

Voltou 77 minutos depois. O fenômeno se repetiu outras quatro vezes durante a sessão de observação, sempre com intervalos de 77 minutos. Depois parou.

Ao analisar os dados os cientistas chegaram à conclusão de que não tinham a menor idéia do que estavam vendo. O relato, em "cientifiquês", está na edição de hoje do periódico britânico "Nature".

O grupo é liderado por Scott D. Hyman, do Sweet Briar College, nos EUA. E eles sugerem que descobriram um objeto de um tipo até então desconhecido, embora ainda haja dúvidas quanto a isso.

Um dos elementos da polêmica é a quantidade de incerteza na pesquisa. Para começar, é preciso descobrir exatamente a distância do objeto à Terra. O grupo não conseguiu fazer isso, mas imagina que ele deve estar perto do centro da galáxia --para onde eles haviam apontado o radiotelescópio.

No entanto, há um longo caminho até lá, cerca de 24 mil anos-luz (um ano-luz equivale à distância que a luz percorre ao longo de um ano, cerca de 9,5 trilhões de quilômetros). Então é possível que o corpo esteja simplesmente em algum ponto entre a Terra e o centro galáctico, mas não necessariamente mais perto do centro. Caso esteja mesmo longe, ele será com folga a mais poderosa fonte emissora de rádio já vista.

Pulsar

A rigor, o comportamento do objeto se parece com o de um pulsar binário --uma estrela que explodiu, entrou em colapso e aí passou a canibalizar sua vizinha. Ao "comer" o invólucro gasoso da estrela companheira, o pulsar ganha um disco de destroços ao seu redor que emite grandes quantidades da raios X. A principal diferença seria que, nesse caso, os pulsos não seriam de raios X, mas de rádio. Com essa semelhança, a polêmica já está se instalando. É mesmo um novo objeto?

Se não for, certamente é um velho conhecido se comportando de uma maneira nunca vista antes. As observações, feitas pelo Very Large Array, conjunto de radiotelescópios no Novo México (EUA), ocorreram entre 30 de setembro e 1º de outubro de 2002. "Ele não foi detectado novamente desde 2002 e também não está presente nas imagens anteriores", disse Hyman, em comunicado. "Nós acertamos em cheio!"

Nem todo mundo se anima desse jeito. "Em nossa opinião, a afirmação de que é uma nova classe é plausível, mas não indubitável", escreveram Shri Kulkarni e Sterl Phinney, do Caltech (Instituto de Tecnologia da Califórnia), em comentário publicado na mesma edição da "Nature". "Os pulsos poderiam ainda ser emissão incoerente de uma estrela binária com acreção."

De toda maneira, o melhor modo de resolver a polêmica é identificar mais exemplares de fontes de pulsos de rádio parecidas com a recém-descoberta. É exatamente o que o grupo de Hyman pretende fazer a partir de agora. Eles esperam encontrar várias fontes similares no futuro. "Há muita coisa sobre objetos que emitem raios X, mas muito pouco foi pesquisado até agora sobre fontes intermitentes de rádio como essa", disse Joseph Lazio, do Laboratório de Pesquisa Naval, em Washington, co-autor do estudo.

Especial
  • Leia o que já foi publicado sobre pulsares binários
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