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04/10/2006 - 12h51

Um terço do planeta será deserto em 2100

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da Efe, em Londres

Um relatório elaborado pelo Centro Hadley para o Prognóstico e as Pesquisas sobre o Clima, vinculado ao Escritório Meteorológico do Reino Unido, indica que aproximadamente um terço do mundo será deserto em 2100. É a primeira vez que se quantifica o risco de desertificação induzido pela mudança climática, o que foi possível graças a um computador de capacidade extraordinária existente no centro.

O relatório, divulgado hoje pelo jornal "The Independent", que realiza uma campanha sistemática de conscientização da opinião pública sobre os perigos da mudança climática, suscitou preocupação e alarme em muitos setores. "É aterrorizante", afirmou ao jornal Andrew Pendleton, da ONG Ajuda Cristã, segundo o qual 'equivale a uma condenação de milhões de pessoas à morte'.

Por causa desta desertificação, "haverá migrações de camponeses em níveis desconhecidos até agora, que os países pobres não poderão suportar", acrescentou. Para Andrew Simms, especialista da New Economics Foundation, "nenhum aspecto da vida nos países em desenvolvimento ficará a salvo se essas previsões se confirmarem". Isto afetará negativamente "sua capacidade agrícola e a disponibilidade de água", afirma Simms, segundo o qual será um verdadeiro desastre para milhões de pessoas que hoje vivem em condições climáticas muito adversas.

O impacto pode ser ainda maior que o previsto no relatório, já que este não leva em conta os efeitos potenciais sobre o planeta das mudanças induzidas pelo efeito estufa. Segundo o "The Independent", um relatório ainda não publicado pelo Escritório Meteorológico indica que, se estes efeitos forem incluídos, a grande seca que afetará o planeta será ainda mais grave, sobretudo na África.

Os modelos usados por Eleanor Burke e outros dois colegas do centro Hadley, baseados no Índice Palmer de Gravidade da Seca (PDSI, em inglês), indicam que este aumentará no mundo todo.

Atualmente, o PDSI de seca moderada está em 25% da superfície do planeta, mas subirá a 50% até o início do próximo século. O índice de seca grave, que se situa atualmente em 8% da superfície terrestre, chegará a 40% em 2100 e o de seca extrema subirá de 3% para 30%.

O relatório completo, que será divulgado este mês pela revista 'The Journal of Hydrometeorology', será levado pelo Governo britânico às negociações sobre mudança climática que acontecerão em novembro em Nairóbi.

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