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06/07/2001 - 05h31

"Copacabana" chega hoje às telas e aborda a velhice no bairro do Rio

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SILVANA ARANTES
da Folha de S.Paulo

Foi de Mário Quintana, o poeta dos versos "Eles passarão, eu passarinho", que o ator Marco Nanini, 53, buscou aproximar-se para dar forma a Alberto, 90, o protagonista de "Copacabana", que estréia hoje nos cinemas.

Para fazer -em parceria com Melanie Dimantas e Yoya Würsch- o roteiro desse terceiro filme que dirige, a cineasta Carla Camurati, 40, recorreu à relação com os avós e a alguma leitura.

Memorialístico em tom de comédia e espécie de homenagem ao bairro que o nomeia, "Copacabana" avança e retrocede no tempo. O filme marca também o intervalo que se situa entre "Carlota Joaquina" (a estréia de Camurati na direção, em 1995, confundida com a reestréia da produção nacional) e o momento em que a Lei do Audiovisual, principal instrumento de incentivo ao cinema desde então, parece esgotar-se.

Camurati fez "Copacabana" com R$ 2,7 milhões e o benefício da Lei Rouanet, que considera "mais equilibrada" que a do Audiovisual, por não oferecer vantagens "excessivas" ao patrocinador. Com a produção de um longa de Marcos Vinicius César engatilhada e a compra do argumento para seu quarto filme na etapa final, a cineasta diz que não pode desfiar "um rosário de reclamações" e que o Brasil não sabe usar seu próprio mercado.

Folha - Qual é a reflexão sobre a velhice que importa fazer?
Carla Camurati -
No Brasil, a gente se volta excessivamente para a juventude, o que considero burrice, já que todos envelheceremos, menos os que morrerem antes. Envelhecimento é assunto delicado, porque as pessoas têm medo de se deparar com um processo difícil e que se torna cada vez mais difícil à medida que social e politicamente não cuidamos para que ele seja melhor. Acho que o filme reflete bem sobre isso quando mostra que o melhor tempo da vida não é o que passou nem o que virá, mas o que você vive hoje, independente da idade.

Folha - Para a preparação do roteiro você buscou que referências?
Camurati -
Procurei ter algumas referências, desde as filosóficas, alguma coisa de Cícero e de Platão, até os pensamentos de Buñuel no livro "O Último Suspiro" ou na relação com meu avô.

Folha - "Carlota Joaquina" é considerado o primeiro filme da retomada da produção nacional e desde então você se firmou como uma produtora com facilidade para captar verbas. Você está confortável no mercado do cinema brasileiro?
Camurati -
Não é que eu tenha facilidade, mas conquistei alguns parceiros, que estão comigo desde o primeiro filme. A cada dois ou três anos faço um filme. Não posso reclamar da minha média. Nem aguentaria dirigir um filme por ano. Se eu fizesse um rosário de reclamações, estaria sendo injusta. Acho que a relação das leis de incentivo com o cinema não está 100% resolvida. Há muitas coisas a serem revistas no contexto de uma política audiovisual maior, considerando os filmes que entram e saem do país, o material que se importa e o dinheiro envolvido. O Brasil é um mercado maravilhoso, que não estamos sabendo usar a nosso favor.

Folha - Você acredita que o Brasil comporta a indústria que o Gedic (Grupo Executivo para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica) propõe ?
Camurati -
Acho que temos modificações muito delicadas a serem feitas nas leis e que o Gedic tem propostas interessantes e boas para isso. A proposta de criação de um fundo de investimentos em produção, dependendo de como fique, pode ser uma solução para o problema da captação. O Brasil comporta uma indústria. O problema é o tamanho que se deseja para ela. É ambicioso e equivocado querer algo semelhante ao cinema americano. O que estamos gerando e produzindo hoje é capaz, não num futuro próximo, mas a longo prazo, de solidificar algo que chamemos de indústria.

Folha - Dicotomia sucesso de público/fracasso de crítica incomoda?
Camurati -
Fico feliz é com o público. Não que eu ache a crítica desimportante, mas ela é efêmera. Está num jornal que no dia seguinte vai embora da minha vida. É na relação com o público e na carreira do filme que meu trabalho tem um eco para mim. É claro que sofri com as críticas, mas isso faz parte.

Leia a nossa opinião sobre o filme na Crítica Online
 

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