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04/03/2002 - 10h41

Marieta Severo e Marco Nanini encenam "Os Solitários"

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MARCELO RUBENS PAIVA
da Folha de S.Paulo

Já imaginou Marco Nanini, 53, no papel de uma mocinha debutante? E no papel de um menino de 11 anos com Marieta Severo, 55, ambos comendo carne humana numa ilha deserta?

Em parceria com a Sutil Companhia de Teatro, Nanini e Marieta encenam "Os Solitários", junção de dois textos -"Pterodátilos" e "Homens Gordos de Saia", cada um exibido num ato-, do autor norte-americano underground Nicky Silver, dirigidos por Felipe Hirsch.

Nanini produz as próprias peças, como "Uma Noite na Lua", de João Falcão, desde 79. Chegou a ficar 11 anos em cartaz com "O Mistério de Irma Vap".

Marieta também começou a produzir suas peças no mesmo ano. Associados ao produtor Fernando Libonati, os dois sempre buscam a renovação. Dessa vez, ousaram.

"Pterodátilos", o primeiro ato, de 93, conta a história de Todd, o filho querido que volta ao lar com o vírus da Aids e revê a mãe alcoólatra. O encontro desanda quando ele encontra no quintal o esqueleto de um suposto dinossauro. Silver se inspirou na própria família para escrevê-lo.

"Homens Gordos de Saia" teve Marisa Tomei, ainda desconhecida, na montagem de Chicago. O segundo texto fala de uma mãe, Phyllis, e seu filho, Bishop, únicos sobreviventes de um desastre de avião, que se encontram numa ilha perdida e, como canibais, comem os outros passageiros.

Marieta e Nanini, que atuaram juntos recentemente em "Quem Tem Medo de Virginia Woolf?" e formam o casal Lineu e Nenê do seriado "A Grande Família" (Globo), dobrarão os papéis.

Em "Pterodátilos", Nanini interpreta Arthur, o pai banqueiro, e Emma, a adolescente românica, e Marieta-morena faz a alcoólatra Grace, uma consumidora compulsiva, mãe de Todd (Guilherme Weber).

Em "Homens Gordos de Saia", Nanini faz o menino de 11 anos, Bishop, e Marieta-loira, a sua mãe, Phyllis. A peça fica dois meses em cartaz no teatro Alfa.


Folha - Vocês estão temerosos de representar um texto forte?
Marieta Severo - E ousado.
Marco Nanini - Mais excitados do que temerosos. Sempre existiu o pânico, desde quando fiz a minha primeira peça infantil. Esse pânico faz parte, é a autocrítica. Silver tem um texto com que as pessoas podem se chocar, mas uma parcela grande pode gostar.
Marieta - Sabemos que estamos percorrendo um caminho de originalidade. Tem uma qualidade do novo, dos problemas do homem moderno expostos de uma maneira insólita e divertida.

Folha - Acham que quem vê o casal Lineu e Nenê gostará do texto?
Marieta - Para você tirar as pessoas de casa e do que a TV oferece, precisa oferecer algo muito interessante. Acredito na vontade da platéia de ver coisas que saiam da mesmice. A platéia é sedenta de coisas insólitas. O texto é um tipo de produto que vai atender à inquietação.
Nanini - Nanini - Ele traz uma discussão sobre a solidão, com imagens bem fortes, e mexe com os fantasmas da platéia.
Marieta - O autor pega os signos da modernidade, liga com signos e valores da platéia e subverte com humor, num jogo inteligente e sarcástico. É radical. Ele vai até o final do jogo.

Folha - Por que são vocês os produtores de suas peças?
Marieta - Acho que é a única maneira de você traçar o seu caminho, ter a sua opção, fazer as suas escolhas e deixar a sua marca. É o caminho que você escolhe: colocar o desejo na prática. E você não fica à mercê de alguém lhe convidar para fazer alguma coisa que talvez seja o que você queira, mas talvez não seja.

Folha - É também para terem o controle financeiro do projeto?
Marieta - Não. O ponto de partida é sempre o artístico.
Nanini - Eu nem sei fazer contas. É enlouquecedor fazer o artístico e a produção. Temos o Fernando (Libonati, diretor de produção), que conheci na época de "Irma Vap". Ele cuida do dinheiro.

Folha - Vocês estão sempre de olho em novos talentos, como Falcão e, agora, Hirsch. É uma necessidade de se renovarem?
Nanini - Com certeza. Se a gente começa a não correr riscos, a gente petrifica, faz apenas o que sabe, e o universo diminui. Com a Sutil Companhia, recebemos uma carga de troca e oferecemos nossas experiências.
Marieta - O ator precisa estar com uma motivação pessoal, não apenas envolvido com os personagens, mas com vontade de se comunicar. Dá vontade de falar e instigar a platéia com esse texto que Felipe nos trouxe.
Nanini - Talento não tem idade. São pessoas em quem confiamos.

Marieta - É impossível nossa experiência não interferir no projeto. Escolhemos essas pessoas porque têm uma postura em relação ao teatro que bate com o que a gente pensa e espera dos jovens. Jovens têm uma relação com o teatro de respeito e seriedade.
Nanini - E não achamos que o que aprendemos deva ser a regra.

Os Solitários
De: Nicky Silver
Direção: Felipe Hirsch
Com: Marieta Severo, Marco Nanini, Guilherme Weber, Erica Migon e Wagner Moura
Onde: teatro Alfa (r. Bento Branco de Andrade Filho, 722, Santo Amaro, tel. 0/xx/11/ 5693-4000)
Quando: de 8 de março a 28 de abril, sextas e sábados, às 21h, domingos, às 18h
Quanto: de R$ 25 a R$ 50
Patrocinador: BR Distribuidora.

 

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