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24/05/2003 - 08h33

Gravadora Baratos Afins promove festival para comemorar 25 anos

PEDRO ALEXANDRE SANCHES
da Folha de S.Paulo

Foi no dia 24 de maio de 1978 que começou a funcionar em São Paulo o "sanatório do rock" Baratos Afins -a definição é usada por seu próprio proprietário, o ex-farmacêutico Luiz Calanca, 50.

O sebo de discos que virou loja que virou gravadora que virou ponto de encontro e referência para a comunidade independente da música brasileira coroa hoje o aniversário de 25 anos, na última rodada de um festival comemorativo que vem acontecendo no Sesc Pompéia desde quarta-feira.

Instalada no segundo andar do edifício Grandes Galerias (av. São João, 439), no centro antigo de São Paulo, a Baratos Afins viu toda uma cena crescer a seu redor. Quando foi parar na hoje chamada "galeria do rock", só havia no local duas ou três lojas populares de discos no térreo, além da histórica (e já extinta) Wop Bop.

"Estava tudo meio abandonado, havia salões de cabeleireiro, lojas de eletrônica e até bares e boates na galeria", lembra Calanca. A febre de sebos e lojas de discos detonou fase de prosperidade para a galeria, que, em seu auge, chegou a ter 84 lojas de discos -média mantida até hoje.

Como gravadora, a Baratos Afins apareceu em 82, com o álbum "Singin" Alone", de Arnaldo Baptista, ex-integrante dos Mutantes -que até hoje são uma referência crucial para o imaginário de Calanca e sua trupe-família.

"Eu atraio esse tipo de público que cultua Mutantes, toda banda parecida com eles já quer mostrar para mim. A gente manteve acesa a chama dos Mutantes", diz.

No burburinho do pop-rock dos 80, a gravadora deu guarida a bandas-símbolo do underground da época, como Fellini, Voluntários da Pátria, Smack e outros. Os títulos mais bem-sucedidos, segundo Calanca, foram a coletânea "SP Metal" e um disco dos Ratos de Porão -8.000 cópias cada.

"Depois aquilo tudo virou uma panela, todo mundo que eu gravava foi ser jornalista da [revista musical] "Bizz". Enchi o saco e fui gravar Bocato, Itamar Assumpção, Vera Figueiredo...", diz. Assumia assim a dita vanguarda paulistana, que, comandada por Itamar, fez passagem marcante.

A maior prosperidade para Calanca aconteceu quando, já nos anos 90, ele desistiu de uma cruzada que mantinha contra os discos em CD -ele é até hoje adepto fervoroso do vinil- e permitiu a entrada do novo formato na loja.

A atitude contestadora era e é outra das marcas registradas de Calanca: "Em 78, eu odiava discothèque, então colocava capas de discos dos Bee Gees para os clientes pisarem no chão da loja. Hoje acho aquilo um clássico, perto de White Stripes".

Não, ele não desembarcou do rock. O maior investimento do selo, hoje, é em lançar bandas alternativas jovens de rock, de preferência de fora do eixo Rio-SP.

Também reedita material raro de dinossauros esquecidos do rock nacional, como Serguei, Lanny Gordin e Os Caçulas -os três foram incluídos no roteiro do festival, com shows inéditos.

Sobre a fama de "sanatório do rock", Calanca é taxativo: "Músico tem que ser maluco, senão vira Phil Collins". Ele próprio não nega a imagem de maluco-beleza. "Já fui, já tomei minhas drogas. Hoje só vendo drogas [musicais], não consumo mais", brinca.


25 ANOS DA BARATOS AFINS
Onde: Sesc Pompéia (r. Clélia, 93, tel. 3871-7700)
Quando: hoje, às 20h30
Quanto: R$ 12
 

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