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20/11/2003 - 05h09

O Rappa resiste à saída de Yuka e morte de Waly Salomão com CD novo

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PEDRO ALEXANDRE SANCHES
da Folha de S.Paulo

O ano de 2003 termina para a banda carioca O Rappa como resultado do acúmulo de uma série de perdas. O período turbulento começou em 2000, quando Marcelo Yuka, baterista e um dos cérebros do grupo, foi baleado numa tentativa de assalto.

Yuka sobreviveu aos três tiros, mas ficou paraplégico. Progressivamente distanciado do cotidiano do grupo, acabou saindo de vez do Rappa, no ano passado.

O golpe seguinte aconteceu em maio de 2003, quando morreu o agitador cultural e poeta tropicalista Waly Salomão, padrinho musical e ideológico do Rappa. O grupo cogitava a possibilidade de usar suas letras em substituição às de Yuka.

Em meio aos baques públicos, perdiam também familiares --o avô do vocalista Marcelo Falcão, o pai dos irmãos Marcelo e Marcos Lobato (hoje respectivamente baterista e letrista do Rappa). "São poucos os que sobrevivem assim", resume Falcão, 30.

Somadas as perdas, 2003 é também o ano do manifesto de permanência, assinado em forma de disco com o nome "O Silêncio Q Precede o Esporro".

O hoje quarteto Rappa é cuidadoso no trato do caso Yuka. Dizendo-se envolto pela perda de seus "heróis", Falcão fala do ex-parceiro: "Sempre fui o primeiro cara a ler as letras de Yuka. Independentemente do acidente, a partir de um certo momento ele não se aproximava mais para compor. Fui ficando aflito".

Ao que justificam, sem esclarecer de todo a história das divergências, tiveram de excluir Yuka do grupo, por conta de seu afastamento. "Ele ficou muito chateado de não fazer mais parte da banda. Mas havia se ausentado, a gente subentendeu que ele tinha necessidade de fazer seu próprio trabalho", diz o guitarrista Xandão, 35.

Yuka chegou a reclamar publicamente do Rappa. "Talvez ele tenha se sentido agredido, falou a versão dele", diz Xandão, que afirma que a deterioração da relação entre banda e líder não teve nada a ver com o acidente.

"Torço pelo Yuka e pelo trabalho dele. Musicalmente, o Rappa está bem, mas sinto falta das piadas do Yuka", atalha Falcão.

Por intermédio de sua assessoria, Yuka avisa à Folha de S.Paulo que não quer falar sobre O Rappa. Ainda em processo de recuperação, ele procura gravadora e integrantes para uma nova banda, que deve se chamar Furto.

Procurada pela reportagem, a gravadora do Rappa, Warner, tampouco se pronuncia sobre não haver encampado, na cisão, os novos projetos de Yuka.

O Rappa espreme em suco de entusiasmo o susto das rupturas todas. "O trabalho atual foi tumultuado no sentido emocional, mas ainda assim foi o disco mais tranquilo da minha vida", define Falcão, que promete: "Demoramos um tempo de silêncio, para agora fazer o esporro".

De concreto, prosseguem na trajetória de trabalho social e institucional nas comunidades carentes que viram O Rappa vicejar. E mantêm bandeiras de luta como a de exigir da gravadora que o CD seja vendido a preços menores. Segundo Xandão, a gravadora se comprometeu a mantê-lo na faixa de R$ 17,90 a R$ 23,90. Questionada sobre isso, a Warner se guarda ao silêncio que precede o esporro.
 

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