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27/04/2008 - 08h58

Com César Menotti & Fabiano, sertanejo volta ao topo das vendas

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IVAN FINOTTI
Editor do Folhateen

Arroz carreteiro, feijão gordo, churrasco. Farofa com carne-seca, caldo de mocotó, vaca atolada. Porções de calabresa, frango e picanha. Mandioca, costela, cerveja com sal e limão e costela de novo.

"O sertanejo é, antes de tudo, um forte", escreveu Euclides da Cunha há 106 anos. Sim, ele é: o som sertanejo não desiste nunca e, volta e meia, está no topo das vendas com novo verniz.

A terra

O que atualmente galga as escarpas altas, inteiriças e abruptas das paradas brasileiras é o chamado sertanejo universitário. Isso porque os fãs seriam supostamente estudantes universitários. Já há alguns anos as duplas Edson & Hudson e Bruno & Marrone têm sido alavancadas pelos tais universitários.

Agora, entram no time César Menotti & Fabiano, irmãos mineiros que no ano passado foram os terceiros maiores vendedores de CDs (269 mil) e DVDs (131 mil) no Brasil, na frente desses outros e atrás apenas de Ivete Sangalo e do padre Marcelo Rossi.

Eles tocaram para 50 mil pessoas na sexta-feira da semana passada, na Festa do Peão de Boiadeiro de Osasco. Cantaram na arena de rodeio, no chão de terra batida onde, minutos antes, vaqueiros chacoalhavam em cima de touros. Mas seus sucessos falam mais de problemas de amor do que dos sertões. A dupla até trouxe a internet para o gênero. O último CD, chamado ".com Você", traz a música "www.Volta pra Mim". Já vendeu 102 mil cópias.

A terra batida da arena segue até as barracas de comida, que vendem espetinho de coração de frango, sanduíches de pernil e pururuca. Minipizzas crocantes de mussarela, catupiry e double-mix. Batidas tapa na cara, desejo de noiva e fogo na xexênia. Pastéis sabor mafioso, gostosão e frangay.

O homem

O homem sertanejo, a exemplo de outros tipos etnológicos presentes no Brasil, possui vestimenta característica. Enverga botas, cinturão e chapéu.

Mas, no caso de César Menotti e Fabiano, não há chapéus à vista. "É que ainda não encontramos um do número dele", explica César Menotti, apontando para a cabeça do irmão.

Fabiano, por sua vez, conta o segredo da dupla: "A gente fala com segunda intenção, sabe? Digo no microfone: 'Um abraço pro pessoal da barraca de costela'. Depois do show, tá lá a costela no camarim!."

"Nada melhor que comida de festa de peão. Desde a infância, a gente adora." A infância... Como é lúdica a infância do sertanejo! Pescar no rio, caçar tatu, amarrar a boca com caqui do pé, bolo de fubá no fogão de lenha. Mas, que pena, a de César e Fabiano não foi nada assim.

O pai deles é o Antônio da Silva, o Toninho do Ouro, um administrador de garimpos que vivia viajando. Passava meses seguidos na Amazônia. Assim, César Menotti, 26 (que ganhou esse segundo nome porque seu pai tinha um amigo Menotti), e Fabiano, 30, viveram em diversas cidades até a família se estabelecer em Belo Horizonte.

Por conta do metal, a vida era instável. "A gente tinha videogame, minibugue. Mas, quando o pai estava brefado, a gente passava vontade." Brefado é o termo garimpeiro para estar duro, quebrado, sem mufunfa.

Os dois pequenos podiam estar brefados mas, fortinhos que eram, nunca recusavam repetir o frango caipira refogado pela dona Elcides. "Fortinho é um jeito simpático de dizer", fala Fabiano. "Mas é verdade. No histórico da música sertaneja moderna, todos eram bonitões, saradinhos. A gente veio na contramão, e o povo se identifica com a gente muito fácil."

Principalmente o pessoal da barraca da costela. Na festa de Osasco tem ainda umas comidas nada a ver com os sertões: espeto de coração, yakisoba e tempurá. Cheese-salada, cheesebacon e cheesetudo. Crepe suíço de salsicha com queijo, de chokito, de charge e de prestígio. Vinho suave (o elixir da juventude), jurupinga, vodca com Yakult e tangerina. Ainda bem que César Menotti e Fabiano não bebem álcool.

A luta

O conflito da dupla é com a balança -uma briga que ficou séria para César Menotti após internação recente por conta de hérnia de disco. "Iniciei dieta com nutricionista. Há 15 dias só como pão integral, queijo cottage e alface!", diz, num misto de surpresa e revolta.

Para ajudar, ele recrutou sua mulher, Theonília Carolina, 28. "Estou acompanhando as viagens para ele não sair do regime", segreda Theonília em voz baixa. César mede 1,78 m e não sabe quanto pesa atualmente. "Não quis vincular a balança ao regime. Vou saber se emagreci quando as roupas ficarem folgadas", explica ele.

Quanto a Fabiano, 1,80 m e 150 kg, também tem pisado no freio. "Tenho tentado não comer depois dos shows. O certo é só coisa leve, mas é difícil. A gente vai dormir só de manhã, agora são 19h e ainda vamos almoçar. Quer ir com a gente?"

Batatas fritas na hora, batatas palito, batatas chips. Milho verde, feijão-tropeiro e arroz carreteiro. Caldo verde, hot dog salsichão de 23 cm, fogazza quatro queijos. Coquetéis de vodca tigrão, tchuchuca e suor de virgem. Batidas farmácia, calcinha vermelha e xixi-de-anjo. Trinca coco, bomba atômica e beijo na boca. Esses caras das barracas da festa de peão de Osasco são impagáveis.

 

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