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16/05/2008 - 10h23

Crítica se divide sobre filme de Meirelles

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SILVANA ARANTES
da Folha de S.Paulo, em Cannes

O cineasta brasileiro Fernando Meirelles disse que se preparou "para a colisão" quando seu novo filme, "Ensaio sobre a Cegueira", foi convidado a abrir o 61º Festival de Cannes, o que ocorreu anteontem. O choque que Meirelles aguardava não tardou. Críticos de vários países reagiram ao longa "Ensaio sobre a Cegueira" com opiniões opostas e enfáticas, em textos publicados ontem.

O crítico do jornal britânico "The Guardian" Peter Bradshaw afirmou em seu texto que "Ensaio sobre a Cegueira" é um drama "com imagens soberbas, alucinantes de colapso urbano. Tem, em seu centro, uma verdadeira espiral de horror, ainda assim, é iluminado com delicadeza e humor. É cinema corajoso, magistral".

No diário norte-americano "Los Angeles Times", Kenneth Turan também aprovou o filme. "Na verdade, só um diretor com a particular combinação de talentos de Meirelles poderia ter levado com êxito à tela a mistura de desespero e esperança do livro [homônimo de José Saramago]", escreveu.

A revista "Hollywood Reporter", embora faça ressalvas a aspectos do filme, em resenha assinada pelo crítico Kirk Honeycutt, diz que "na adaptação do livro de Saramago para a tela, o diretor brasileiro teve um extraordinário plano visual e consideráveis desafios cinematográficos a vencer. Portanto, há muita coisa aqui [no filme] para acelerar a pulsação e envolver a mente". Honeycutt conclui que ""Ensaio sobre a Cegueira" é cinema provocador, mas também previsível: choca, mas não surpreende".

Sentimentalismo

Entre os que rechaçaram "Ensaio sobre a Cegueira" está a revista inglesa "Screen". Avaliando o filme como regular, Fionnuala Halligan diz que "Meirelles parece lutar para encontrar um tom, e "Ensaio sobre a Cegueira" fatalmente perde tensão antes da escalada para um bizarro sentimentalismo no ato final".

Ao criticar o filme na publicação americana "Variety", Justin Chang viu "impacto minimizado e excesso estilístico" no retrato do "caos pessoal e coletivo que resultaria se a humanidade perdesse o sentido da visão" e avaliou que o filme "raramente atinge a força visceral da prosa de Saramago".

Dominique Borde, do diário francês "Le Figaro", diz que o filme "prometia uma reflexão antes de se estragar numa metáfora de autodestruição".

O diário francês "Libération" classificou "Ensaio sobre a Cegueira" como "decepcionante" e publicou uma dura crítica, de Olivier Séguret, ao filme.

"O charme teórico da ambição anunciada nos primeiros minutos de "Ensaio sobre a Cegueira" se volta rapidamente contra o filme, como se Meirelles só tivesse colocado o bastão tão alto para estar certo de que passaria por baixo dele", afirma o texto.

Na introdução de sua cobertura do primeiro dia do festival, o "Libération" observa que "a maioria dos produtores e cineastas não gostam nada da situação de abrir o festival".

O incômodo, segue o texto, é com "a primeira projeção para a imprensa, julgada de alto risco. Os jornalistas chegam à Croisette com a faca entre os dentes e o filme de abertura é o alvo dessa agressividade".

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Lionel Cironneau/AP
From left, Canadian actor and screenwriter Don McKellar, Brazilian actress Alice Braga, Brazilian director Fernando Meirelles, American actress Julianne Moore and Mexican actor Gael Garcia Bernal, from left, pose during a photo call for the film "Blindness" at the 61st International film festival in Cannes, southern France, on Wednesday, May 14, 2008. (AP Photo/Lionel Cironneau)
Para jornal inglês "Guardian", filme é "magistral"; o francês "Libération" o considera "decepcionante"; Fernando Meirelles (centro) posa com Don McKellar, Alice Braga, Julianne Moore e Gael Garcia Bernal
 

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