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03/05/2004 - 07h41

Detonautas mostram o risco de beber e dirigir

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LEANDRO FORTINO
da Folha de S.Paulo, Enviado especial ao Rio

A música começa com uma batida que parece o pulsar de um coração. A letra conta o drama de alguém preso nas ferragens de um carro após um acidente grave. Mas é o clipe de "O Dia que Não Terminou", o primeiro do recém-lançado segundo álbum dos Detonautas, "Roque Marciano", que deixará muitos fãs arrepiados, assim como ficou o vocalista, Tico Santa Cruz, 26, quando escreveu a letra.

Imagens reais de pessoas sendo atendidas após sofrerem acidentes de carro causados pela bebida estão por todo o vídeo, uma mensagem que os Detonautas querem passar para quem usa a direção do carro como arma. Só em São Paulo, segundo dados da CET (Companhia de Engenharia de Tráfego), 40,7% dos mortos em colisões têm entre 16 e 25 anos. A maioria causada pelo consumo de álcool ou drogas.

"O clipe gera uma sensação de "como eu sou idiota". Tanto se eu dirijo depois de beber quanto se eu entro em um carro guiado por alguém que bebeu. A função é gerar um alerta, uma reflexão nos jovens. A molecada está enchendo a cara e pegando o carro, achando legal tirar onda por aí", explica Tico.

Para o guitarrista e vocalista Rodrigo Netto, 26, a idéia do clipe, que estreou na MTV na última sexta, é provocar incômodo nas pessoas. "As campanhas do governo são tranqüilas, não mostram nada de mais. Hoje em dia, o cigarro mostra nas embalagens algo mais forte. Você tem de mostrar a realidade para causar efeito", diz Rodrigo.

Parte das cenas do clipe foram gravadas em apenas duas madrugadas no Rio. Outras são de arquivo de imagem de emissoras de TV, mas a banda garante: todos os acidentes foram provocados por gente que bebeu e resolveu guiar.

No final do vídeo, há fotos de jovens mortos em acidentes, todas cedidas pelas famílias, como exemplo para ajudar outros jovens a não se envolverem com essa situação.

"O Dia que Não Terminou" é o carro-chefe de "Roque Marciano", nome que faz uma homenagem ao pugilista americano Rocky Marciano (1923-69), que encerrou a carreira profissional sem nunca perder.

"Ele era um lutador que, no início da carreira, foi muito criticado porque não tinha técnica nenhuma e lutava por instinto, e a gente se identifica com isso, porque a gente começou sem entender nada. E o que fez o cara se desenvolver foi a luta, a determinação e a vontade de vencer. A gente se inspira no espírito de batalha, de querer vencer, de dar um passo para a frente e alcançar nossos objetivos", explica Tico.

O disco traz os Detonautas mais maduros na mistura de rock, grunge e hardcore que deu fama à banda em 2002, quando lançaram o disco de estréia. "Fomos estimulados pela gravadora a ter liberdade. Isso se tornou ainda mais forte quando o produtor Tom Capone [O Rappa, Maria Rita e Kelly Key] se envolveu no trabalho e colocou a gente nessa nova fase, que trabalha ritmos e sonoridades que até então a gente não tinha usado, como a programação eletrônica", explica Tico.

Como resultado, há músicas voltadas para a porradaria, outras tranqüilas e algumas de puro punk rock e hardcore, que o grupo faz questão de dizer que não renega.

Boa parte das letras do disco trata de um problema de Tico, a insônia. "Escrevo o que vivo, então muitas letras falam de madrugada, de não conseguir dormir e de quando o sono não vem", explica o vocalista.

O jornalista Leandro Fortino viajou ao Rio a convite da gravadora Warner Music
 

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