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25/07/2009 - 09h33

Sequência de "O Vendedor de Sonhos" reforça tendência motivacional

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RAQUEL COZER
da Folha de S.Paulo

Um maltrapilho, estilo Robin Williams em "O Pescador de Ilusões" (1991), semeia ideias filosóficas/psicológicas/espirituais no livro "O Vendedor de Sonhos". O título está há um ano nas listas de mais vendidos do país e acaba de ganhar a companhia de "O Vendedor de Sonhos e a Revolução dos Anônimos", sua sequência.

O curioso é que as duas obras do psiquiatra Augusto Cury, 50, notório frequentador das listas de autoajuda, figuram entre os títulos de ficção. São escritas em forma de romance, embora tratem de temas edificantes no discurso de seus personagens.

Com a chegada de "A Revolução dos Anônimos", a lista dos mais vendidos de ficção da Folha (que contabiliza números das principais livrarias do país) incluía na semana passada três romances de tom motivacional. O mais bem colocado deles é "A Cabana", de William P. Young, em que um pai que perdeu a filha troca uma ideia com Deus. Está prestes a completar um ano na lista e a chegar a 1 milhão de livros vendidos, tornando-se o maior fenômeno da Sextante no ano de lançamento --"O Código da Vinci", outro hit do grupo, vendeu 400 mil cópias em seu primeiro ano.

A previsão de Tomás Pereira, um dos donos da editora, é que "A Cabana" se torne o "maior dos mais vendidos" da Sextante, superando a autoajuda "O Monge e o Executivo" que vendeu 2 milhões de cópias.

"Acho que [vende tanto porque] fala profundamente ao coração", afirmou o canadense Young, 54, à Folha. Ele agora escreve seu segundo livro, que a Sextante negocia.

Cury, autor de maior sucesso comercial do Brasil nesta década, com mais de 10 milhões de livros vendidos, disse à Folha que "jamais" imaginou que chegaria a "dois livros na lista dos mais vendidos em ficção".

"Escritores melhores que eu deveriam estar lá. Mas publicar livros no Brasil é tarefa árdua." Além dele, o único brasileiro na lista é Chico Buarque, com "Leite Derramado". "O Vendedor de Sonhos", 400 mil cópias vendidas em um ano, ficou nesta semana na 12ª posição, enquanto a sequência subiu da décima à oitava.

Criador de uma teoria sobre o processo de construção do pensamento "usada em teses acadêmicas", o psiquiatra rejeita o termo autoajuda --mesmo para seus livros vendidos como autoajuda. E diz que literatura não é "só entretenimento".

"Eu não conseguiria escrever ficção sem defender teses filosóficas, psicológicas. Procuro estimular a arte do pensar."

Ele afirma que começou a escrever romances, em 2005, porque a não ficção "produz um desgaste psíquico dantesco", já que exige "uma gama de argumentos coerentes". A ficção, por outro lado, "liberta". "Fico livre para tecer ideias."

Paulo Coelho

Tomás Pereira acredita que esse tipo de romance faz sucesso por ser "mais agradável ler uma história que uma não ficção". "Paulo Coelho foi o cara que sacou isso antes de todo mundo", ele diz. Curiosamente, nem Cury nem Young leem Coelho --e ambos dizem preferir filosofia e psicologia a ficção.

Rogério Alves, gerente editorial da Planeta, que publica os livros de Cury no selo Academia da Inteligência, acha "O Vendedor de Sonhos" "muito diferente" de autoajuda. "É uma história do começo ao fim, não é como uma fábula da qual se tire ensinamentos." O dono da Sextante também considera que "A Cabana" vai além disso. "Há conceitos elaborados de teologia ali. É um pouco mais complexo que autoajuda."

Na esteira desses sucessos, novos títulos confundem até os livreiros. "Por que Você Não Quer Mais Ir à Igreja", lançado como ficção pela Sextante, na linha de "A Cabana", chegou às lojas há 20 dias. Vendeu 18 mil exemplares e apareceu em várias listas de mais vendidos de autoajuda. "Já avisamos as livrarias de que é ficção; elas estão mudando", diz Pereira.

Alexandre Martins Fontes, diretor-executivo da Martins Fontes, avalia que o fato de um livro ser vendido como romance pode atrair leitores que tenham preconceito contra a autoajuda. "Mas não é isso que faz um livro vender. O sucesso é mais misterioso", diz.

A Ediouro teve uma experiência nesse sentido. Há um ano, lançou o romance de autoajuda "A Arte de Correr na Chuva". O livro, que empacou nos 27 mil exemplares, frustrou as expectativas do diretor-executivo André Castro. "Confesso que esperava mais", diz.

 

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