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05/05/2006 - 09h16

"Caché" questiona o papel da imagem com filme plural

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RICARDO CALIL
do Guia da Folha

Se a importância de um filme pudesse ser medida pela quantidade de interpretações que ele comporta, "Caché" deveria ser considerada uma das produções mais relevantes dos últimos anos. E, de fato, é.

Ganhador do prêmio de melhor diretor no último Festival de Cannes, Michael Haneke ("A Professora de Piano") oferece uma história que pode ser vista como suspense em aberto, fábula psicanalítica, comentário político ou ensaio semiótico.

Em Paris, Georges (Daniel Auteuil), apresentador de um programa de TV sobre literatura, começa a receber fitas de vídeo anônimas que registram a fachada de sua casa --e as idas e vindas do apresentador, de sua mulher (Juliette Binoche) e de seu filho.

Em pouco tempo, chegam às mãos de Georges desenhos e vídeos com elementos que remetem a um episódio de sua infância, em que prejudicou um imigrante argelino adotado por sua família. Ele tenta, então, descobrir quem seria o autor das ameaças.

"Caché" pode ser visto como um suspense sobre a culpa --a de seu protagonista e também a da França, homem e país acomodados em seu estilo de vida burguês que, de repente, se vêem chacoalhados pela herança maldita da colonização. Não se trata de um suspense tradicional, mas de uma reinterpretação pessoal à maneira de Michelangelo Antonioni ("Blow Up"), em que se questiona o papel da imagem como portadora da verdade.

Uma das interpretações mais interessantes sobre o longa é a de que os vídeos seriam mandados por Haneke a seus personagens. Há outra: eles seriam materializações do inconsciente de Georges. Mas você pode escolher a sua versão --e aí reside a beleza de "Caché", filme que confirma seu diretor como um dos nomes fundamentais do cinema contemporâneo.

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