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26/05/2006 - 15h59

Masp faz acordo e Eletropaulo retoma fornecimento de energia

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da Folha Online

Após três dias funcionando com geradores, o Masp (Museu de Arte de São Paulo) voltou a receber, nesta sexta-feira, fornecimento de energia elétrica. O reestabelecimento ocorreu depois que a diretoria do museu e a AES Eletropaulo firmaram, nesta manhã, acordo para quitar uma dívida da instituição de cerca de R$ 3,47 milhões.

"A direção do Masp e da Eletropaulo firmaram, nesta data, acordo para encerramento das pendências existentes em relação ao pagamento de débitos", afirmou o museu por meio de nota enviada à imprensa. Segundo o Masp, os débitos serão liquidados em até 48 meses, em parcelas mensais.

Eduardo Knapp/Folha Imagem
O Masp foi inaugurado em 2 de outubro de 1947 por Assis Chateaubriand
O Masp foi inaugurado em 2 de outubro de 1947 por Assis Chateaubriand
A AES Eletropaulo mandou o aviso de corte de energia ao Masp em 5 de dezembro. Em 17 de maio, a empresa enviou comunicado formal sobre a interrupção de fornecimento, "motivada pela inexistência de uma proposta de solução amigável". No dia 22 de maio, o diretor do museu, Júlio Neves, solicitou uma reunião com a AES Eletropaulo, mas não compareceu, sendo efetuado o corte no dia seguinte.

Após o corte de energia, às 7h de terça-feira, o Masp abriu ao público, na quarta e quinta, com o auxílio de dois geradores de eletricidade.

Para efetuar o corte, a Eletropaulo listou, dentre os motivos, os "sete anos de recorrente inadimplência por parte do museu" --o Masp paga desde junho de 2005 suas contas mensais, mas não renegociou pendências anteriores. O Masp explicou, por meio de nota, que chegou a oferecer como pagamento créditos tributários de terceiros, o que não foi aceito pela empresa de energia.

Agora, o Masp afirma ter dado garantias financeiras, mas não explicou quais seriam elas --alegou-se uma "cláusula de confidencialidade" para não revelar detalhes do acordo. Ontem, o oferecimento de obras de arte do acervo foi descartado pelos dois lados.

A exigência ocorre porque dois acordos já haviam sido rompidos pelo Masp, um em 2000 e outro em 2004, que previa 35 parcelas de R$ 21 mil, das quais só a primeira foi paga.

Ministério Público

O Ministério Público abriu inquérito para investigar se o acervo do Masp corre risco de dano e segurança por ter funcionado à base de geradores. O inquérito, aberto na quarta-feira, começou a ser cumprido ontem.

"Por causa das matérias de jornal que li ontem (quarta-feira), entre elas a da Folha, decidi instaurar inquérito para verificar se a coleção do Masp corre perigo, afinal trata-se de um patrimônio histórico e o acervo é tombado", afirmou o promotor de Justiça do Meio Ambiente, Luis Roberto Proença. Entre as áreas de responsabilidade da Promotoria do Meio Ambiente estão o patrimônio artístico e o cultural.

O promotor também expediu cartas pedindo dados a respeito do corte de energia à Eletropaulo e ao Masp. "Quero compreender a motivação do corte, mas não vou entrar na questão financeira nem avaliar a gestão do museu", disse Proença, que deu prazo de dez dias para obter as respostas.

Em entrevista coletiva nesta sexta-feira, o presidente do Masp, o arquiteto Júlio Neves, informou que avisará aos museus do mundo todo que emprestaram obras para exposição "Degas" (atualmente em cartaz) sobre o religamento efetuado pela manhã.

Segundo ele, também serão pedidos laudos técnicos. O objetivo é "tranqüilizar" os museus sobre o funcionamento dos geradores de energia que mantiveram as obras em "ambiente adequado".

Com Folha de S.Paulo

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