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28/11/2006 - 09h29

Reunião histórica dos Mutantes chega em CD e DVD

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LUIZ FERNANDO VIANNA
da Folha de S.Paulo, no Rio

Nos extras do DVD "Mutantes ao Vivo", há um ensaio em São Paulo em que Zélia Duncan veste uma bata ultracolorida, enquanto os irmãos Sérgio Dias e Arnaldo Baptista estão de chapéu e indumentária anticonvencional.

Pula-se no menu para o show, gravado em 22 de maio de 2006 no Barbican, em Londres, e o que se vê é um palco preto, roupas pretas --com exceção da camisa salmão de Arnaldo, quase oculta sob o casaco--, um quadro gótico que pouco lembra a iconografia psicodélica criada nos anos 60 e 70 pela maior banda brasileira.

O contraste não tem nada de casual. Basta ver o que Sérgio diz no documentário de incluído no DVD: "O barato era justamente não ser igual. Os Mutantes não podiam voltar exatamente como eram". Nem faz muito sentido pensar se existe um visual falso e outro verdadeiro, pois os Mutantes sempre fizeram jus ao nome do grupo e nunca pararam de mudar. A pergunta que importa é: Sérgio, Arnaldo e o baterista Dinho Leme são "velhinhos espertos querendo juntar dinheiro para pagar o geriatra", como ironizou Rita Lee? A resposta é não.

Assim como há uma penca de motivos pessoais e musicais para Rita não voltar aos Mutantes, há outra penca dos mesmos motivos para Sérgio Dias e Arnaldo Baptista ressuscitarem a marca.

Eles foram fundo em drogas, amores, brigas, experiências sonoras, viram o lado A e o lado B da música, mas nunca deixaram de ser (para eles e para os outros) Mutantes.

"Eu sabia que não tinha nenhum esqueleto no armário", diz Sérgio no documentário. E completa: "Deixar as coisas permanecerem como estavam seria uma estupidez".

Brincadeiras e qualidade

Estupidez não seria, pois a história deles já está escrita, mas o DVD mostra aspectos que afastam a suspeita de uma farsa. Um deles é a alegria que os irmãos demonstram no palco -as brincadeiras que fazem em "Cantor de Mambo" são o melhor exemplo. A felicidade ao poder interpretar juntos "Ando Meio Desligado" é outro destaque. Outro é a qualidade do que fazem. Arnaldo, mesmo sentadinho em seu banco e sem produzir efeitos mirabolantes, mostra pleno domínio dos teclados e ainda canta em várias músicas.

Já Sérgio prova, mais uma vez, que é um dos maiores guitarristas do mundo. Ainda exibe humor e extensão quando canta --"Balada do Louco" é seu grande momento.

E Dinho é o coração da banda, não parecendo que estava há três décadas sem pegar nas baquetas.

Em Zélia Duncan deve-se elogiar, antes de tudo, a discrição. Embora no meio do palco, atua como coadjuvante dos irmãos e evita ao máximo alusões a Rita Lee.

Estas aparecem aqui e ali no uso de pequenos instrumentos de percussão e no esforço (bem-sucedido) de alcançar as notas agudas em músicas que não tiveram o tom alterado em função de sua voz grave. É o que acontece em "Top Top" e "Dois Mil e Um", por exemplo. Já em "Baby" ela fica à vontade.

Reconstrução

O repertório de 21 músicas se vale da verdade drummondiana: deixou de ser moderno para ser eterno. Ninguém vai se chocar mais com as iconoclastias de músicas como "Dom Quixote", "Ave Lucifer", "Cabeludo Patriota", "Bat Macumba" --com a participação no coro de Devendra Banhart e Noah Georgeson-- e "Panis et Circenses" (inferior na versão em inglês). Mas tudo continua muito bom, ainda mais interpretado pelos inventores.

"Para reconstruir, tem que demolir antes", ensina Arnaldo no DVD. Se vier, o disco de inéditas prometido para 2007 mostrará se estamos presenciando uma alegre e muito bem feita troca de figurinos ou uma fantástica reconstrução.

Especial
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