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08/04/2003 - 09h48

Ataques dos EUA matam três jornalistas em Bagdá

da Folha Online

Três jornalistas morreram e outros três ficaram feridos hoje em Bagdá, depois que forças dos Estados Unidos atacaram o prédio da rede de TV Al Jazeera e o hotel Palestine, onde estão hospedados correspondentes estrangeiros que acompanham a guerra no Iraque.

Um cinegrafista da Al Jazeera morreu após a queda de um míssil sobre o escritório da rede de TV na capital iraquiana.

Outros dois cinegrafistas morreram no ataque de um tanque dos EUA contra o hotel Palestine, no centro de Bagdá. O ataque deixou outros três jornalistas feridos.

O canal de TV privado espanhol Telecinco anunciou hoje que o cinegrafista José Couso, 37, morreu no ataque contra o hotel, após ser atingido na perna direita e na mandíbula.

A agência de notícias Reuters afirmou, em um comunicado divulgado em Londres, que o cinegrafista ucraniano Taras Protsyuk, 35, também morreu na explosão.

De acordo com o comunicado, um repórter, um fotógrafo e um técnico de televisão da Reuters ficaram feridos e foram levados ao hospital. Ainda não está claro que tipo de ferimentos eles tiveram.

"Um jornalista da Reuters morreu e outros três ficaram feridos em Bagdá hoje de manhã quando os quartos do hotel onde trabalhavam foram alcançados por um obus de um tanque norte-americano", disse o comunicado.

"O cinegrafista Taras Protsyuk, 35, um ucraniano que trabalhava no escritório da Reuters em Varsóvia, morreu depois da explosão no hotel Palestine, onde estão hospedados meios de comunicação estrangeiros na capital iraquiana", afirmou a agência Reuters, que tinha um total de 18 jornalistas em Bagdá para cobrir a guerra.

Um general norte-americano disse hoje que um tanque dos EUA disparou contra o hotel Palestine.

"Um tanque estava sendo atingido por fogo de pequenas armas e RPG [granada lançada por foguetes] do hotel e revidou contra o alvo com um disparo de tanque", disse à Reuters o general Buford Blount, comandante da Terceira Divisão de Infantaria.

Além dos três cinegrafistas mortos hoje, ao menos outros oito jornalistas morreram durante a cobertura da guerra no Iraque, que começou no dia 19 de março, às 23h35 (horário de Brasília).

Ontem, os jornalistas Julio A. Parrado, do jornal espanhol "El Mundo", e Christian Liebig, da revista alemã "Focus", morreram em um ataque de tropas iraquianas a um centro de comunicações dos Estados Unidos na periferia sul de Bagdá.

Outros alvos

A rede de TV Al Jazeera, do Qatar, anunciou hoje a morte de um de seus correspondentes em Bagdá. O cinegrafista Tarek Ayub tinha ficado gravemente ferido após a queda de um míssil sobre o escritório da rede de TV na capital iraquiana.

O escritório do canal fica em um prédio perto do hotel Mansour, não muito distante do Ministério da Informação, no centro da cidade.

O correspondente da emissora em Bagdá Majid Abdel Hadi observou que os escritórios da Al Jazeera ficam numa área residencial da capital.

O canal de televisão dos Emirados Árabes Unidos Abu Dhabi TV também informou hoje que seu escritório em Bagdá foi alvo de bombardeios, durante violentos combates perto do Palácio da República.

O canal estatal de televisão e a emissora de rádio estatal do Iraque saíram do ar hoje pela manhã.

Tropas se espalham

As tropas norte-americanas estão se espalhando hoje por Bagdá, e soldados dos EUA e do Iraque se enfrentam em violentos combates no complexo presidencial. Enquanto isso, sedes de duas emissoras de TV, além do hotel que hospeda jornalistas, foram alvos de bombardeios.

"Enquanto deslocamos as tropas, expandimos nossa área de operações na cidade, mas não acrescentamos mais forças", disse o major Mike Birmingham, um oficial de relações públicas da Terceira Divisão de Infantaria.



"Simplemente continuamos atuando, continuamos pressionando. O regime vai cair. É só uma questão de tempo", acrescentou.

Os membros da Terceira Brigada desta divisão participam na operação para assumir o controle do palácio presidencial, enquanto os da Segunda Brigada participam de operações no centro de Bagdá.

Aproximadamente 6.000 soldados americanos cercam o aeroporto, no limite sudoeste da capital, de onde lançam ataques contra o centro da cidade.

Birmingham disse que as forças norte-americanas estão sob o fogo da artilharia dos lança-granadas da Guarda Republicana, força de elite do presidente iraquiano, Saddam Hussein. Ele precisou, porém, que não há soldados norte-americanos mortos.

"A presença das tropas americanas no centro da capital mostra ao povo iraquiano que os dias de Saddam estão contados", declarou.

Mas o ministro da Informação iraquiano, Mohamad Said al Sahaf, disse que o Iraque não se renderá.

"Eles [os norte-americanos] é que se renderão ou serão queimados em seus tanques", disse Sahaf a um jornalista que lhe perguntou se não havia chegado a hora de o Iraque se render às forças norte-americanas, pois os tanques já estão nas ruas de Bagdá.

"Nós os aprisionamos dentro de seus tanques", acrescentou Sahaf, falando fora do hotel Palestine, onde se hospedam os jornalistas, minutos depois de o hotel ter sido alvo de um bombardeio.

Com agências internacionais

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