Saltar para o conteúdo principal Saltar para o menu
 
 

Lista de textos do jornal de hoje Navegue por editoria

Opinião

  • Tamanho da Letra  
  • Comunicar Erros  
  • Imprimir  

Pedro Soares

Ilhados

RIO DE JANEIRO - Quase alheios aos protestos do lado de fora, executivos do setor de petróleo discutiam, na manhã de ontem, os últimos detalhes do primeiro leilão do pré-sal em um hotel na Barra da Tijuca (zona oeste do Rio).

A manifestação, que culminou em violência, não constava da lista de assuntos preferidos. Os temas mais recorrentes eram a presença dos chineses na oferta, que acabou sendo tímida, e se haveria um segundo interessado no megacampo de Libra --o que não ocorreu.

Do lado de dentro, só o som das bombas rompia a tranquilidade dos instantes anteriores ao certame. E isso apenas quando o barulho se intensificou, por volta da hora do almoço. No momento do leilão, a manifestação já tinha perdido força e saiu complemente do radar dos executivos.

O único a demonstrar alguma preocupação era o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, que, todo tempo, tentava tranquilizar a imprensa e o Planalto. Repetia que a situação estava dentro do controle e minimizava o protesto violento, que teve feridos.

Findo o leilão, o governo comemorou a presença no consórcio vencedor das gigantes Shell e Total, ao lado da majoritária Petrobras.

Para os defensores do monopólio estatal no setor do petróleo restou apenas protestar diante da necessidade urgente da União de reforçar seu caixa com os R$ 15 bilhões a serem pagos pelos vencedores, o que fez o governo antecipar o leilão em um mês para o dinheiro entrar no cofre ainda neste ano.

Nem mesmo o chamamento de alguns petroleiros para que os "black blocs" engrossassem a manifestação teve resultado. Em mais um ato que tinha tudo para ser uma manifestação democrática, os mascarados e seus simpatizantes promoveram a violência e acabaram com a festa --para a qual, dessa vez, tinham sido convidados.


Publicidade

Publicidade

Publicidade


Voltar ao topo da página