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Opinião

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Camila Marques

Motoristas x ciclistas

O embate entre os defensores -ou mais que isso, amantes- das ciclofaixas em São Paulo e aqueles que sofrem com o trânsito mais intenso na cidade dia após dia tende a se acirrar neste fim de ano.

O motivo: a confusão que tradicionalmente se instala na avenida Paulista com a decoração de Natal.

A importante via da capital integra, aos domingos, uma rota de 41 km de área de lazer, a ciclofaixa Paulista-Centro, inaugurada em setembro deste ano. Tal restrição aos automóveis será somada à conhecida piora do tráfego e às milhares de pessoas que passarão por ali por causa das luzinhas coloridas, corais e papais noéis animados.

Pesquisa divulgada nesta semana pela SPTuris mostra que os usuários das ciclofaixas são fiéis e estão satisfeitos com o programa: mais de 70% utilizam o sistema semanalmente, atribuindo nota 8,8 ao serviço oferecido.

Outra prova de que as ciclofaixas possuem público crescente é a quantidade de novas vias abertas desde 2009, quando o primeiro trecho de 5 km foi inaugurado (ligando o parque do Povo ao parque das Bicicletas, no Ibirapuera, zona sul). Hoje, são 108 km, em todas as regiões de São Paulo.

É indiscutível que a cidade carece de áreas de lazer gratuitas. Que não há dúvida ser louvável a iniciativa de convidar o paulistano às ruas, atrelar isso a um circuito de turismo pelo centro velho, unir o exercício do corpo ao do conhecimento.

Mas é latente a pergunta: e quem utiliza o carro, cuja compra continua estimulada por imposto reduzido? E o transtorno que tem sido provocado aos domingos em tantas ruas e avenidas de São Paulo? É justo o motorista que já sofre durante a semana ser penalizado também no seu dia de descanso -e de trabalho para muitos outros?

Como noticiou a revista "sãopaulo" no domingo, a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) ainda não sabe o que fará, nem se fará algo para prevenir o anunciado caos na avenida Paulista. A instituição defende que "hipóteses" não servem para planejar o trânsito na cidade.

Assim, o Natal, tempo de confraternizar, pode servir para cristalizar ainda mais a disputa do espaço de ciclistas e de motoristas -e piorar as caras feias dos dois lados.

É importante destacar que o embate ciclistas x motoristas é apenas um pequeno pedaço da relevante questão da mobilidade urbana. Candidatos a prefeito não só incluíram em suas campanhas pedaladas pelas ciclofaixas, como prometeram, de novo, destravar o trânsito e melhorar o transporte público. Infelizmente, pouco disso ocorreu nos últimos anos. E os próximos domingos, para quem dirige em São Paulo, refletirão isso.

CAMILA MARQUES é secretária-assistente digital da Folha.

Hoje, excepcionalmente, não é publicado o artigo de ANTONIO DELFIM NETTO.


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