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Ribeirão

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Haitianos se espalham pelo interior de SP

Cerca de 700 imigrantes, a maioria do Haiti, foram contratados nos últimos dois anos por empresas do Estado

Pastoral Missão Paz, que atua na capital, registrou aumento no número de imigrantes que vieram para o país

ISABELA PALHARES DE RIBEIRÃO PRETO

Longe da família e de seu país há 15 meses, o haitiano Victor Wimex, 33, já planejou tudo o que fará nas quatro semanas que terá ao lado da mulher e da filha. Elas chegam ao Brasil em setembro.

Wimex e cerca de outros 700 imigrantes foram contratados nos últimos dois anos para trabalhar em empresas do interior de São Paulo, por meio da pastoral Missão Paz, que atua na capital.

A entidade católica existe para auxiliar imigrantes a conseguirem emprego. Abriga 110 pessoas, que permanecem lá enquanto não conseguem colocação no mercado.

Apenas nos primeiros seis meses deste ano, a pastoral já recebeu 8% a mais de imigrantes que em todo o ano passado. Até o início de julho, 2.612 imigrantes foram abrigados pela Missão Paz.

Em 2013, a pastoral recebeu 2.400 estrangeiros, sendo 70% haitianos --e o restante de países como Congo, Senegal, Síria e Honduras.

Além da Pastoral, a Prefeitura de São Paulo abriu em maio deste ano um abrigo com 150 leitos. Na semana passada, havia 200 imigrantes no local. Só neste ano, 1.700 passaram pelo abrigo.

A prefeitura disse não ter dados precisos sobre quantos foram empregados, mas estima que cerca de 1.000 tenham conseguido emprego.

Após chegar ao Brasil, Wimex foi selecionado para trabalhar na rede de restaurantes Graal, em São Carlos.

"Aprendi português com um amigo, que também me ensinou serviços de encanador e eletricista", contou Wimex, que agora trabalha na cozinha do restaurante.

Ao contrário da maioria dos haitianos acolhidos pela Missão Paz, Wimex veio para o Brasil com visto de trabalho e conseguiu os documentos necessários para trabalhar com a ajuda da pastoral.

Desde o terremoto no Haiti em 2010, Wimex disse que encontrou dificuldades para encontrar emprego. Ele trabalhava como encanador, mas o salário era insuficiente para cuidar da família.

Em setembro, quando a mulher e a filha de dois anos chegarem, Wimex já sabe onde levá-las: ao shopping. "É lindo. Elas vão adorar."

COIOTES

De acordo com o padre Paolo Parise, responsável pela pastoral, a maioria dos haitianos ainda entra no país por meio de "coiotes" --pessoas que recebem até US$ 4 mil para facilitar a entrada ilegal no país. Entram pelo Acre e depois seguem para São Paulo.

"Auxiliamos a conseguir a documentação para eles se legalizarem e poderem trabalhar no país", disse Parise. "E, então, fazemos a intermediação com as empresas"

Dos 2.612 imigrantes recepcionados pela pastoral neste ano, 1.363 (52%) já foram empregados, segundo o padre.

Uma parte foi contratada por empresas no Sul, principalmente frigoríficos.

Outros foram empregados no interior de SP, principalmente em construtoras e oficinas mecânicas.

A região de Ribeirão recebeu 30 estrangeiros por intermédio da pastoral neste ano. Eles vieram do Haiti, da República do Mali e Honduras.

Wimex disse que manda de 40% a 60% de seu salário para a família no Haiti. Ele mora em um alojamento nos fundos do restaurante em que trabalha, com outros 30 funcionários (entre eles, haitianos, africanos e boliviano).

Amadou Gana, 27, veio do Mali, na África Ocidental, para o Brasil há um ano e trabalha com Wimex.

Disse que em seu país há oferta de emprego, mas a remuneração não é boa. Ele trabalhava como atendente em um mercado.

"Estou com saudades de casa. Quero voltar para o Mali e ver minha família, quero trazê-los para cá", disse.


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