Estudo mostra que brasileiro se endivida por luxo e não consome marcas nacionais

Grifes preferidas são Rolex (17%), Chanel (11%) e Gucci (10%)

Itens de luxo
Itens de luxo de grifes citadas em pesquisa com brasileiros das classes A e B - Estúdio Rafael Sartori
Pedro Diniz
São Paulo

Quando se trata do luxo, o Brasil é um caso à parte no mercado mundial. Tão à parte que seus hábitos incluem se endividar para conquistar um item, sentir-se melhor quando paga mais e, surpreendentemente, não reconhecer nenhuma marca nacional de roupas no segmento.

É o que mostra uma pesquisa da MindMiners, especializada em varejo, que, a partir de uma amostra de mil brasileiros das classes A e B, produziu um estudo abrangente sobre esse mercado, ainda uma incógnita para marcas internacionais fincadas no país.

Riqueza (59%), sofisticação (52%) e status (46%) foram as três palavras mais citadas quando se questionou o significado do luxo, que para a maioria tem a ver com um carro Ferrari (91%), um relógio Rolex (67%) e uma poltrona de avião na primeira classe (62%).

Dos entrevistados, 57% afirmam já ter parcelado suas compras de luxo, 33% sentem mais prazer se ele é caro e 13% dizem ter contraído dívidas para "ter acesso ao que a maioria não tem", frase citada como definidora do luxo.

Quando questionados sobre se conhecem alguém que se endividou pelos caprichos, 60% disseram que sim.

"É um indicativo de que mais da metade já se endividou por luxo, porque, em pesquisas, quando se pergunta sobre o outro, geralmente a pessoa fala sobre si", diz Danielle Almeida, responsável pelo estudo.

Uma das surpresas, para ela, foi a desmistificação da ideia de que uma marca impressa na peça, seja o logo, seja o nome da grife, importa. Apenas 32% concordam que esse detalhe influencia na compra.

O Brasil, porém, não se aceita. Nenhuma marca de moda nacional foi citada como luxo. Do país, apenas as joalherias H.Stern e Vivara foram lembradas. "Não conseguimos ainda imprimir uma imagem de alto padrão", diz Almeida.

As grifes preferidas são Rolex (17%), Chanel (11%) e Gucci (10%), sendo a última campeã de compras, com 32% dos entrevistados. Os preços da grife de relógios, mais altos que os de roupas e acessórios, colocam a Rolex como principal sonho de consumo no vestuário.

Curiosamente, são poucas as grifes citadas no estudo que atingem uma camada de consumidores de perfil exclusivo. A reportagem ouviu executivos de grandes empresas, incluídos na classe AAA, para detalhar seu perfil de consumo.

Burberry, Gucci, Cartier e Rolex foram citadas em ambos os casos, mas Montblanc, Hugo Boss, Tag Heuer, Ermenegildo Zegna e Tod's, grifes consumidas por executivos, ou não aparecem ou estão nos últimos lugares da pesquisa.

De perfil mais sóbrio e vinculada a um luxo mais discreto, para usar no ambiente profissional, as etiquetas são citadas como clássicos duráveis.

"É uma questão de identificar onde você trabalha, se está numa indústria, num escritório. Temos que passar credibilidade", diz Julia Boch, CFO da Porsche Brasil, que cita Gucci, Hugo Boss e Rolex entre suas últimas compras.

Presidente da distribuidora Akron, Nelo Marraccini cita Hermès, Cartier, Tod's, Zegna e Prada como algumas de suas joias pessoais, ao lado de carros Porsche e Ferrari.

"Não acho interessante comprar para mostrar status. O luxo se identifica pela artesanalidade e pela entrega de bem-estar, não pela ideia de um catálogo de 'free shop', com marcas enormes grudadas na roupa", afirma Marraccini.

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