Banda Wild Nothing registra em disco paixão pelos anos 1980

Grupo será uma das atrações do Balaclava Fest, que acontece em São Paulo em abril

Jack Tatum, vocalista da banda Wild Nothing
Jack Tatum, vocalista da banda Wild Nothing - Cara Robbins/Divulgação
Thiago Ney
São Paulo

Jack Tatum não consegue parar de voltar aos anos 1980. “Continuo descobrindo tanta música boa dos anos 1980. Acho que [naquela época] havia um desejo real de experimentar com a música pop, e eu aprecio isso. Tínhamos gente como Kate Bush e Peter Gabriel, que faziam música para um público realmente grande, mas conseguiam distorcer suas canções e tentavam criar coisas novas.”

Essa paixão do americano pela música oitentista está (bem) exposta em “Indigo” (2018), o quarto disco lançado pela banda que ele lidera, a Wild Nothing.

 

O grupo será uma das atrações principais do Balaclava Fest, que será realizado na Audio, em São Paulo, em 27 de abril. O evento terá ainda o grupo canadense Land of Talk, a cantora Luiza Lian, a banda inglesa Ride, a cantora camaronesa Vagabon e a banda Terno Rei.

As 11 faixas de “Indigo” são feitas em cima de notas de sintetizadores que lembram bandas como Human League e Ultravox, e guitarras melódicas que remetem a Cocteau Twins e Lush. Muitos chamam esse tipo de som de “dream pop”.

“É um disco bem pop. Tem uma produção cuidadosa que talvez acentue esse lado. Mas para mim sempre fiz música pop. Mesmo no primeiro disco [“Gemini”, de 2010], acho que já brincava com essas mesmas sensibilidades”, diz Tatum sobre “Indigo”. “O pop me atrai porque tento colocar o foco em criar melodias e fazer música que seja acessível para diferentes tipos de gente.”

Nesse sentido, é um disco que não combina muito com o anterior, “Life of Pause” (2016), talvez o mais sonoramente ambicioso já produzido pela banda. “‘Life of Pause’ é o nosso disco mais experimental. E estava bem ciente disso quando comecei a gravar ‘Indigo’. Queria que este disco soasse mais imediatista de alguma maneira.”

Tatum é multi-instrumentista e conta que sempre começa a gravar um disco sozinho, no estúdio que tem em casa. “Hoje eu realmente amo esse processo de gravar um disco. E sei que sempre transcorre bem quando eu começo sozinho. Sempre chego a um ponto em que percebo que fiz tudo o que podia até ali, e então levo as demos para um produtor ou para outros músicos para que eles coloquem ideias novas nas músicas.”

Tatum e o Wild Nothing estão atualmente em turnê pela Europa. Depois vão para a Ásia e, em seguida, América do Sul. Durante as viagens, ele diz que tenta permanecer conectado com amigos e fãs por redes sociais –mas não muito.

“Estou em redes sociais, mas definitivamente não sou tão ativo quanto outros músicos que conheço. Não sei, não me atrai tanto, me parece que estou em um segundo emprego se fico constantemente tentando mostrar alguma ideia pré-concebida do que seja a vida de um músico”, afirma. “Então para mim é apenas uma plataforma para informar os fãs do que está rolando com a banda. Talvez seja chato, mas eu realmente não curto ficar compartilhando tudo o que eu faço.”

Tatum não é um músico que demoniza os avanços tecnológicos: “Eu ouço música via plataformas de streaming diariamente, é algo que se tornou comum para mim. Mas, como músico, eu tenho algumas preocupações em relação ao que o streaming tem feito para a música. Mas é algo que veio para ficar. Eu, no entanto, ainda gosto de ouvir discos de vinil, tenho coleção. Acho que é realmente importante estar conectado com a música desse jeito.”

Balaclava Fest

  • Onde Audio (av. Francisco Matarazzo, 694, São Paulo)
  • Preço de R$ 120 a R$ 140
  • Classificação 16 anos
  • Onde comprar www.ticket360.com.br
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