Tommy Hilfiger e Valentino se juntam a artistas em seus desfiles

Etiqueta italiana versa sobre o amor e a marca americana mira jovens de redes sociais

Grace Jones na passarela da Tommy Hilfiger - REUTERS
PEDRO DINIZ
Paris

Um dos mantras da nova ordem da moda mundial é unir forças para expandir o alcance das araras. Se antes a mão de um estilista bastava para causar identificação na passarela, agora cantores, artistas plásticos, ativistas e poetas são parte dos tentáculos de grifes até então reconhecidas pela assinatura solitária.

Esta temporada de moda trouxe vários exemplos dessa lógica de dividir o pão para colher frutos. A Dior começou em 2015, quando incluiu em seu repertório frases da escritora Chimamanda Ngozi; a Moncler chama diversos estilistas para assinar coleções sazonais, apresentadas em Milão; e a Fendi abriu as portas dos ateliê para a Fila.

Agora, a Valentino, envereda pelas parcerias ao se juntar à Undercover, do japonês Jun Takahashi. Ele criou com Pierpaolo Piccioli, estilista da grife italiana, uma estampa que remete a beijos de esculturas neoclássicas para uma nova coleção sobre o amor.

A cartela de cores que oscila entre o preto e o famoso vermelho Valentino é base para variações das estampas do século 19, incluindo tons de rosa.

Nos vestidos suntuosos ainda se lia frases de poemas do britânico Robert Montgomery. Junto aos escritos, trechos de Greta Bellamacina, Mustafa The Poet e Ysra Daley-Ward formam o livro "Valentino on Love", dado aos convidados.

A passarela da grife soa como um escape do turbilhão de referências tenebrosas do noticiário. Piccioli escreve um conto adocicado com vestidos em A, túnicas bordadas e chapéus.

O casting diverso da Valentino encontrou eco também na passarela de Tommy Hilfiger.

Feita para alcançar a audiência jovem das mídias sociais, a coleção criada em parceria com a artista Zendaya tinha um ar dos anos 1970 e 1980, a cara das modelos Pat Cleveland, Veronica Webb e Jourdan Dunn, três das estrelas que vestiram desde alfaiataria até roupa em tom esportivo.

No final, uma Grace Jones trajada com body metalizado e blazer de couro chamou a plateia para dançar. Fez pular ícones negros da moda, como a cantora Janelle Monáe e a modelo Tyra Banks.

Nessa onda soturna e de humor cabisbaixo das coleções de Paris, a festa carnavalesca de Hilfiger levou um sorriso à cara dos fashionistas azedos.

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