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Cinema

Potente ficção, 'Os Jovens Baumann' se disfarça de documentário

Trunfo do filme tem a ver com magia das imagens, o que revelam e o que escondem

Os Jovens Baumann

  • Quando Estreia nesta quinta (19)
  • Classificação 14 anos
  • Elenco Anna Santos, Cainã Vidor, Daniel Mazzarolo, Julia Burnier
  • Produção Brasil, 2019
  • Direção Bruna Carvalho Almeida


Com 12 minutos de imagens gravadas em VHS se inicia “Os Jovens Baumann”, de Bruna Carvalho Almeida. O longa parte de um truque, uma confusão entre documentário e ficção, para criar uma potente ficção que se disfarça de documentário.

O truque é sustentado pela opção do “found footage”, ou seja, imagens de arquivo ficcionais que mostram oito primos da família Baumann que desapareceram durante as férias de verão de 1992 na fazenda da família, no sul de Minas Gerais. Teria sido um caso não solucionado pela polícia.

O material foi encontrado 25 anos depois pela filha de um dos funcionários da fazenda.

O filme alterna, então, as imagens de VHS com as imagens rodadas em 2017, num jogo temporal dos mais interessantes, embora a narração enfraqueça um pouco a trama por entregar demais.

O grande trunfo da diretora, no caso, é a criação de uma atmosfera em que a estranheza domina o tempo todo a ponto de perturbar quem aceitar fazer parte do jogo. De onde vêm essas imagens? Em que situações foram registradas? 

Mesmo sabendo que se trata de uma ficção, ficamos com a impressão de que há algo mais nas imagens, uma aura de realidade que não vem só dos atores que aparecem diante da câmera, mas também da própria textura do VHS, com sua falta de definição e seu colorido borrado.

A diretora renega, com razão, os termos “mockumentary” ou “falso documentário”. Eles cabem melhor a filmes como “Zelig”, de Woody Allen.

“Os Jovens Baumann” é um filme investigativo, ou talvez especulativo, sobre o desaparecimento de herdeiros de um império do café. É também sobre a magia das imagens, a crença no que elas narram, no que revelam e no que escondem.

Desvela-se um parentesco com o cinema de Brian De Palma. Em alguns filmes do diretor, entramos num redemoinho em que a imagem nos envolve e desconcerta. 

A diretora consegue algo parecido pela maneira como permite que imagens antigas, a razão de ser de seu filme, conduzam toda a especulação.

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