Descrição de chapéu Ao Vivo em Casa

Aristocratas da pandemia esquecem que motoboy vem com aplicativos, diz Pondé

Colunista da Folha participou do Ao Vivo em Casa e falou também sobre cultura do cancelamento e pandemias

São Paulo

Aristocratas da pandemia é um termo que descreve certos grupos sociais que atravessaram o pior momento da pandemia em ambientes seguros e fazem comentários de pessoas que vão para rua. O termo foi cunhado por Luiz Felipe Pondé, em uma de suas colunas na Folha, e foi tema de partida do Ao Vivo em Casa desta sexta-feira (11), que contou com a sua participação.

Ele critica esta parcela da população que aponta dedos para quem não está cumprindo o isolamento social, mas não costuma olhar para a realidade daqueles que precisam, de fato, sair para trabalhar durante a pandemia do novo coronavírus. “São pessoas muito bem informadas, mas que não tem uma percepção da realidade concreta, não lembram que o motoboy vem junto com iFood e Rappi”, resumiu Pondé na live.

Para o filósofo, a atual pandemia, em nível geral, tem sido tratada como um fenômeno único e algo nunca antes vivido na história. “A humanidade é muito estúpida em relação ao passado, tendem a achar que é a primeira vez que passa por isso”, disse.

Com as tecnologias atuais, ele afirma que, na verdade, nunca estivemos tão preparados para um cenário epidêmico, e citou, por exemplo, uma possível vacina rápida, UTI e respiradores. “Se tivesse tudo isso, a gripe espanhola teria matado menos provavelmente. A diferença que temos para o passado é positiva, agora estamos melhores do que estávamos há cem anos”, analisou.

“Estamos repetindo o mesmo debate de cem anos atrás, inclusive para uso político, o próprio negacionismo, é tudo muito parecido”, comparou.

Apesar das opiniões contrárias ao alarmismo, ele afirmou não temer cair no extremo de discursos negacionistas como do presidente Jair Bolsonaro. “Um dos impactos das redes sociais é a semântica, tudo fica literal como uma criança de 4 anos aprendendo a falar e, por isso, é possível que alguém polarizado acha que quando percebemos que, historicamente, esta pandemia é menos letal, não estamos dizendo que não é necessário tomar cuidado”, disse.

Sobre as redes sociais, ele afirmou não ter medo das críticas. “Sei que tentam colar em mim uma figura próxima ao bolsonarismo, mas quem me acompanha sabe que não”, explicou o colunista que enfatizou que o presidente foi muito irresponsável e pouco empático durante a pandemia e concluiu: “Essa discussão que eu faço não é falta de empatia, eu digo que já passamos por isso outras vezes e por isso temos certos comportamentos”.

ao vivo em casa com Luiz Felipe Pondé no dia 11.set.2020
Ao vivo em casa com Luiz Felipe Pondé - Reprodução

Ainda em relação ao comportamento das pessoas na internet, ele criticou a chamada cultura do cancelamento, em que usuários boicotam virtualmente tanto pessoas comuns quanto famosos.

“Essa fúria de cancelamento, eu acho que é uma estupidez. Não levam em conta os contextos em que as figuras históricas viveram, nao tem nada ver com o racismo. É, de novo, aquele empobrecimento semântico, é um debate que você simplesmente joga”, comentou Pondé, que caracterizou os boicotes como uma ferramenta de mercado.

“Você faz a pessoa perder o emprego, o patrocínio, o espaço. Eu vejo o cancelamento como política de mercado nos seus variados espaços”, finalizou.

Todas as sextas, às 17h, a Ilustrada apresenta convidados do mundo das artes, entre músicos, cineastas, dramaturgos, escritores, estilistas, artistas plásticos e diretores de TV. As lives têm exibição tanto no site do jornal quanto no canal do jornal no YouTube.

As editorias de Turismo e Comida se revezam no horário, com bate-papos sobre o impacto da quarentena no mercado de viagens, mostrando os direitos do consumidor e o que deve acontecer depois do pico da pandemia.

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