Atirador deixa ao menos 11 mortos em sinagoga nos EUA

Incidente em Pittsburgh pode ser maior ataque antissemita na história do país

Agentes de segurança atuam nas proximidades da sinagoga Tree of Life, em Pittsburgh, nos EUA - Jared Wickerham/The New York Times
Danielle Brant
Nova York e Pittsburgh

Um atirador abriu fogo neste sábado (27) dentro de uma sinagoga em Pittsburgh, na Pensilvânia, deixando ao menos onze mortos, segundo autoridades policiais. Seis pessoas foram feridas, sendo quatro agentes.

O suspeito foi identificado como Robert Bowers, 46, de Pittsburgh. Ele foi transferido para o hospital Mercy, com múltiplos ferimentos de bala.

Wendel Hissrich, diretor de segurança pública do estado, descreveu a cena do crime como horrível, "a pior que já vi em minha vida inteira." "É muito ruim", afirmou.

O ataque está sendo tratado como crime de ódio e sob investigação pelo FBI (a polícia federal americana). O incidente ocorre após uma semana em que vários pacotes-bomba foram enviados a  políticos e personalidades críticos a Trump.

O Departamento de Justiça informou neste sábado que, ao ser indiciado por crime de ódio e outros crimes, o atirador pode vir a ser condenado à pena de morte.

Segundo informações de testemunhas e do FBI, o atirador entrou na sinagoga Tree of Life armado com um fuzil AR-15 e três revólveres e gritou que “todos esses judeus merecem morrer”.

O atirador estava deixando a sinagoga, após o massacre, quando deparou com um policial, afirmou o agente especial Bob Jones, chefe do escritório do FBI em Pittsburgh.

Segundo o secretário da Justiça do estado da Pensilvânia, Josh Shapiro, o ataque ocorreu durante uma cerimônia para dar nome a um bebê , durante os serviços religiosos de shabbat, quando a sinagoga estava cheia. 

"Este é possivelmente o maior ataque contra a comunidade judaica na história dos EUA", afirmou Jonathan Greenblatt, presidente da Liga Antidifamação, entidade de defesa contra o antissemitismo. 

Em 2014, dois ataques a tiros contra um centro comunitário judaico e uma comunidade de aposentados, ambos em Overland Park, no estado de Kansas, deixaram três mortos. 

O presidente dos EUA, Donald Trump, qualificou o ataque de um ato malévolo de assassinato em massa e pediu que todos os americanos se unam contra divisões e o ódio. 

Trump afirmou que o antissemitismo "deve ser condenado e confrontado em todos e quaisquer lugares em que apareça". 

Em declarações anteriores, o presidente defendeu um endurecimento das leis que preveem a pena de morte. Afirmou que "o ódio tem de parar" e que "algo precisa ser feito".

O genro de Trump, Jared  Kushner, que também é seu assessor, é judeu. Sua filha Ivanka é judia convertida e seus netos são judeus.

Trump afirmou, porém, que o controle de armas não tem "nada a ver" com incidentes como este e que, se a sinagoga tivesse seguranças armados, o ataque talvez tivesse tido outro resultado.

Em julho, o rabino Jeffrey Myers, que dirige a congregação, acusou o governo americano de ser incapaz de aprovar leis importantes, como a de controle de armas, para proteger os cidadãos.

"Apesar de apelos contínuos para um controle de armas sensato e cuidados à saúde mental, nossos líderes eleitos em Washington sabiam que isso diminuiria com o tempo", escreveu. 

"A menos que haja uma reviravolta dramática nas eleições de midterms [legislativas], eu temo que o status quo permaneça inalterado e que os ataques a tiros em escolas voltem."

O vice-presidente Mike Pence qualificou o ato como "um ataque à nossa liberdade religiosa".

A sinagoga Tree of Life se descreve em seu site como uma congregação tradicional, progressista e igualitária. 

Segundo o antigo chefe da congregação, Michael Eisenberg, policiais estão presentes na sinagoga apenas em grandes eventos religiosos. "Em um dia como hoje [sábado], a porta está aberta, você pode entrar e sair", disse à TV KDKA.

No momento do ataque, estima-se que 100 pessoas estivessem no edifício. A maioria dos frequentadores é de maior idade. 

 
Reuters e Associated Press

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