Berlim registra mais de 500 casos de antissemitismo no primeiro semestre do ano

Agressões mantêm tendência de alta verificada no ano anterior, quando 947 casos foram computados

Homem usa quipá com bandeiras da Alemanha e de Israel, em Frankfurt am Main - Frank Rumpenhorst - 10.jun.14/ dpa / AFP
Carolina Vila-Nova
São Paulo

Berlim registrou 527 casos de antissemitismo nos primeiros seis meses de 2018, revelou nesta quinta-feira (25) relatório do Departamento para Pesquisa e Informação sobre Antissemitismo (Rias, na sigla alemã), com uma média de dois a três incidentes diários. Os registros incluem agressões físicas, ataques verbais, propaganda, danos à propriedade, ameaças e outros.

No total do ano passado, a organização coletou 947 casos, sendo 514 no primeiro semestre, de modo que os números agora divulgados mantêm a tendência de alta. Em 2016, haviam sido 510 incidentes.

"Recebemos a notícia do acúmulo de ataques e ameaças com verdadeiro temor. As pessoas afetadas se aproximaram de nós porque tinham experiências preocupantes e confiaram em nós nessas situações difíceis. Por meio de nossas pesquisas nos últimos quatro anos, surge um quadro diferenciado de como as experiências antissemitas podem moldar a vida cotidiana das pessoas", afirmou o diretor do projeto Berlim, Benjamin Steinitz. 

Esse aumento levou o Ministério Público de Berlim a designar uma procuradora especial para lidar com o tema no âmbito da cidade-estado. A jurista Claudia Vanoni, 44, assumiu a procuradoria especial em 1º de outubro. 

Segundo o Rias, o número de pessoas físicas diretamente agredidos quase dobrou entre 1º de janeiro e 30 de junho deste ano em relação ao mesmo período do ano passado: subiu de 94 para 158. 

"O aumento acentuado de ameaças e, em especial, a duplicação de agressões relatadas falam por si mesmo no sentido de que o antissemitismo em Berlim está cada vez mais agressivo, enquanto certas formas de comunicação antissemita, como a propaganda em massa, diminuíram", diz o relatório. 

A entidade ressalta que os incidentes partem de diferentes origens: de pessoas identificadas como de esquerda e direita; de alta e baixa escolaridade; de cristãos, muçulmanos e ateus.

"A quantidade e a qualidade dos incidentes relatados não são uma surpresa para nós. O que este inventário mostra é que há uma continuidade ininterrupta de ideologias antissemitas que levam as pessoas a mostrar seu ódio abertamente ou usar a força. Isso também significa que a percepção do antissemitismo pela população judaica não apenas reflete medos, mas é baseada em experiências reais", afirmou Marina Chernivsky, diretora do Centro de Competência para a Prevenção e o Empoderamento do Bem-Estar dos Judeus. 

O Rias também registrou 264 incidentes fora da capital alemã no primeiro semestre, com base em informações de entidades parceiras. O relatório alerta, porém, que esses dados são subestimados, devido à menor expressividade dos grupos fora de Berlim. 

"A documentação de cada incidente individual é valiosa, mas todos somos desafiados no compromisso diário contra o antissemitismo", afirmou Chernivsky. "Porque o confronto do antissemitismo é o teste decisivo para a democracia alemã depois do Holocausto."

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