Ministro do STF condena a "litigância de má-fé" e defende liberdade de imprensa
SILVANA DE FREITAS
da Folha de S.Paulo, em Brasília
O ministro mais antigo do STF (Supremo Tribunal Federal), Celso de Mello, criticou ontem a "litigância de má-fé" e o "abuso do direito de demandar" a Justiça, ao comentar a série de ações de fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus movidas em todo o país contra a Folha e outros jornais.
"A atuação de qualquer parte interessada em juízo está sempre sujeita a certos critérios éticos e também de natureza jurídica. O abuso do direito de demandar tem uma resposta clara estabelecida pelo próprio sistema legal."
"Aquele que abusa do seu direito de ação e ingressa em juízo com motivação que não tem respaldo na ordem jurídica sofre sanção processual. É litigância de má-fé", disse. A punição prevista é multa.
Três ministros do STF --além de Mello, Gilmar Mendes, que em abril assumirá a presidência do tribunal, e Carlos Ayres Britto-- afirmaram que a liberdade de imprensa é fundamental na democracia.
Britto afirmou que um dos papéis da imprensa é dar visibilidade ao poder. "Não só o poder público, mas também o poder econômico, o religioso."
"Quando se litiga com a imprensa, há de se ter muito cuidado, porque a Constituição faz da liberdade de imprensa um postulado de valor quase absoluto", declarou.
Para Mendes, "o valor liberdade de imprensa é fundamental e deve ser preservado; é um dos elementos fundamentais do Estado democrático de Direito." E afirmou ainda: "É preciso que os juízes, nas ações, avaliem a possibilidade de litigância tendo em vista os devidos contextos."
Os três ministros disseram que não fariam avaliações sobre o caso específico das ações de fiéis da Universal contra jornais, porque mais à frente terão de julgar a causa. Optaram por tratar do assunto em tese.
O presidente da OAB, Cezar Britto, também criticou a reação da Universal. "A busca da reparação judicial é recurso legítimo do Estado democrático de Direito. Não pode, no entanto, esse direito transformar-se em instrumento de perseguição política, exercendo papel de censura e de intimidação à liberdade de expressão."
Leia mais
- Igreja Universal controla maior parte de TVs do país
- Plano de Igreja Universal gera disputa judicial com ex-bispos
- Fiéis da Universal processam "Extra" e "A Tarde"
- Juiz condena fiel da Universal em ação movida contra a Folha em MS
- Juízes dão mais duas decisões a favor da Folha
- Polícia Federal indicia bispo Edir Macedo por fraude
- Livro de Elvira Lobato reúne 11 reportagens investigativas da Folha
Especial


LIBERDADE DE IMPRENSA É DIFERENTE DE ABUSO DE IMPRENSA
"FURO" DE REPORTAGEM É DIFERENTE DE "INVENTAR" REPORTAGEM
O grande problema é que as pessoas ainda vêem (nós os evangélicos) com aquele olhar preconceituoso de "ZÉ POVINHO" e se esquecem que os tempos são outros,vocês nos subestimam...
A maior prova de que as denúncias contra o "abuso" de imprensa não é algo orquestrado,como tentam vender esse"peixe",é que existem lugares em que as denúncias estão sendo levados à sério,a onde promotores e juízes não estão se deixando influenciar pela opinião da imprensa,mas julgando conforme deve ser,pelos trâmites da LEI.UM ABRAÇO!!!
avalie fechar
2 TIMOTEO 3, 1-9 . Sabe, porém, isto, que nos últimos dias haverá tempos críticos, difíceis de manejar. Pois os homens serão amantes de si mesmos, amantes do dinheiro, pretensiosos, soberbos, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, desleais, sem afeição natural, não dispostos a acordos, caluniadores, sem autodomínio, ferozes, sem amor à bondade, traidores, teimosos, enfunados [de orgulho], mais amantes de prazeres do que amantes de Deus, tendo uma forma de devoção piedosa, mostrando-se, porém, falsos para com o seu poder; e destes afasta-te. Pois, dentre estes surgem aqueles homens que se introduzem ardilosamente nas famílias e levam cativas mulheres fracas, sobrecarregadas de pecados, levadas por vários desejos, sempre aprendendo, contudo, nunca podendo chegar a um conhecimento exato da verdade. Ora, do modo como Janes e Jambres resistiram a Moisés (JULGADOS por DEUS), assim também estes prosseguem resistindo à verdade, homens completamente corruptos na mente, reprovados quanto à fé. Não obstante, não farão mais progresso, pois a insensatez deles ficará bem clara a todos.
NÃO CONCORDO COM TUDO DA IURD, MAS PREFIRO ELA DO QUE A HIPOCRISIA DESSE MUNDO.
avalie fechar
Para os leigos, fica mais uma vez evidente e real a estranha diversidade das decisões judiciais até aqui divulgadas. Não eram ações com as "mesmas alegações", idênticas entre si por todos os lugares do Brasil? Não há um só ordenamento jurídico no Brasil ou há outros? Os juízes não deveriam ter as mesmas qualidades intelectuais para julgar questões técnicas como essas? Por que, então, está havendo decisões com argumentações diferentes das outras? Se algumas delkas estão corretas, isso significa que outras tantas estão erradas? Como entender uma Justiça assim? A nossa Justiça inspira confiança, a ponto de exercer o didatismo à sociedade por meio de seus pronunciamentos? Sinceramente...!
avalie fechar