Brasil
15/05/2008 - 12h54

Julgamento sobre Raposa/Serra do Sol deve ocorrer até 16 de junho, diz ministro do STF

RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

O julgamento das ações sobre a reserva Raposa/Serra do Sol, em Roraima, deve ocorrer no STF (Supremo Tribunal Federal) até 16 de junho. A previsão é do ministro-relator do processo, Carlos Ayres Britto, que reconheceu nesta quinta-feira que episódios como a discussão ontem envolvendo o ministro Tarso Genro (Justiça) e o deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) "pressionam" o Judiciário a julgar as ações.

"Tudo isso nos pressiona positivamente. Não é uma faca no pescoço. É um assunto extremamente complexo. Esse julgamento será um divisor de águas", afirmou Britto.

Por pouco ontem um tumulto durante audiência pública na Câmara, que tratava sobre a demarcação de terras na Raposa/Serra do Sol, não acabou em confusão. Irritado, o índio Jacinaldo Barbosa atirou um copo de água na direção de Bolsonaro. Antes, o deputado havia chamado Tarso de "terrorista" por ele não ter respondido suas perguntas sobre a reserva.

Britto ressaltou que a demora no julgamento foi provocada pelo envio de petições de ambas as partes --o governo federal, que é favorável à homologação de forma contínua das terras, e o governo do Estado de Roraima, que quer a revisão da demarcação de tal maneira que os arrozeiros sejam mantidos na área. Segundo o ministro, ele recebeu muitos documentos que precisam ser analisados.

O relator pretende concluir seu voto e apresentá-lo para o presidente do STF, Gilmar Mendes, até o final do mês. Mendes já adiantou que o julgamento sobre a reserva é uma das prioridades da Suprema Corte.

Enquanto o julgamento não é realizado, o governo federal manterá os homens da PF (Polícia Federal) e da FNS (Força Nacional de Segurança) na região. De acordo com Tarso, é para manter e garantir a ordem. Também há orientações para desarmar as pessoas que estiverem no local.

O prefeito de Pacaraima (RR), Paulo César Quartiero (DEM), acusado de ser o mandante de um ataque armado contra índios, avisou hoje que "enquanto a Polícia Federal estiver na área, não vai haver paz".

Comentários dos leitores
Adei Louzada de Moura (14) 21/08/2008 23h10
Adei Louzada de Moura (14) 21/08/2008 23h10
Sobre o tema Raposa-Serra do Sol, cumpre dizer que sou favorável ao estabelecimento de reservas indígenas, mas com áreas razoáveis, segundo o número de indivíduos dos grupos autóctones, prevendo inclusive aumento populacional, mas sou contra a área desproporcional, contínua e no meu entendimento injustificável de c. 1,7 milhão de hectares. Penso também deva ser propiciado a que, às pessoas componentes dessas populações indígenas, tenham acesso à educação e possam se integrar à sociedade brasileira em geral. Em isso ocorrendo, não seria um desdouro que indígenas viessem a trabalhar, seja na lavoura de arroz, em outra atividade agrícola ou em artes e oficios variados, com os direitos assegurados pela ordem jurídica a todos os trabalhadores brasileiros. O trabalho dignifica, é causa de evolução, é coadjuvante na ascensão a páramos maiores que transcendem esta nossa fase de vida. Todos nos que desfrutamos de alguns ou de vários bens da civilização hodierna necessariamente trabalhamos. Isso é muito bom! O que não é bom, mas uma péssima idéia, é essa de expulsar "manu militari" brasileiros que estão a viver e trabalhar naquelas várzeas de Roraima. Ficaria muito esquisito que forças civis ou militares nacionais do Brasil viessem a expulsar aquelas pessoas, sejam patrões, empregados ou autônomos. Pareceriam essas forças não serem "do Brasil", porque, nesse caso, acredito, estariam sendo títeres de interesses forâneos. sem opinião
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Adei Louzada de Moura (14) 21/08/2008 22h51
Adei Louzada de Moura (14) 21/08/2008 22h51
Permitam referir-me inicialmente ao Sr Diogo Santos (21/08/2008 - 10h47), que me chama de "senhora", para dizer que sou homem. Meu nome é raro e tem levado alguns a pensarem que é um nome de mulher. Já pensei em mudá-lo perante o Registro Civil e, se o fizesse, sua carta, além de ser bem-vinda na saudável discussão em pauta, certamente contribuiria para que o juiz deferisse o pedido, atribuindo-me outro nome. Sobre o tema "Raposa-Serra do Sol" (usemos hífen), em meu texto de 18/08/2008 - 23h37, expressei minha opinião formada. Acredito no que externei. Meu pensamento só poderia ser mudado em decorrência de racional convencimento, jamais apenas pelo fato de que alguns documentos da ONU, ou de quaisquer outras organizações, contém conceitos distintos dos que professo; mesmo porque os delegados dos diversos países, presentes em tais conclaves, não são necessariamente sábios e nem sempre chegam às melhores conclusões. Acredito que eles, salvo exceções, não têm um completo discernimento acerca das questões de fundo. Certamente que falta reflexão sobre o cadinho de interesses envolvidos (alguns inconfessáveis), que falta senso crítico face a espertas racionalizações produzidas de molde a satisfazer tais interesses. Imagino que muitos assinam documentos finais em vista da exagerada importância que dão ao mero formalismo, sem percepção de interpretações não verdadeiras, de manipulações ocorridas no decorrer dos procedimentos das assembléias. Não me impressiono com conclusões da ONU. sem opinião
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amaury valadares (1) 21/08/2008 18h35
amaury valadares (1) 21/08/2008 18h35
Gostei muita da reportagem! E mais ainda dos comentarios dos colegas abaixo. É isso aí....que tudo saia certo conforme as nossas leis. Amaury valadares sem opinião
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