Presidente da CPI dos Cartões diz que indiciamento de vazador indica "culpa no cartório"
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília
A presidente da CPI dos Cartões Corporativos, Marisa Serrano (PSDB-MS), afirmou nesta sexta-feira que o indiciamento de José Aparecido Nunes Pires demonstra que o ex-secretário de Controle Interno da Casa Civil tem "culpa no cartório" no que diz respeito ao dossiê com gastos da gestão Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
"Significa que o delegado da Polícia Federal [que investiga o dossiê] tem mais notícias do que nós temos aqui. Ele tem mais conhecimento do que nós e, se ele indiciou o José Aparecido, ele fez em cima dos autos. Portanto, ele tem culpa no cartório sim e ele vai vir para cá já com essa figura de indiciado", afirmou.
Segundo a senadora, a CPI vai analisar os depoimentos prestados à Polícia Federal por Aparecido e pelo assessor do senador Álvaro Dias (PSDB-PR), André Fernandes, em reunião reservada na terça-feira. Somente depois dos integrantes da CPI terem acesso aos documentos, a comissão dará início aos depoimentos dos dois acusados do vazamento do dossiê.
"Eu quero abrir os documentos na terça-feira em uma reunião reservada logo cedo com todos os parlamentares integrantes da comissão. Como presidente, eu tenho obrigação de alertar para que eles possam ir para a oitiva com o Aparecido e André sabendo como eles podem fazer as perguntas sem quebrar nenhuma regra jurídica já que aqui somos juízes nesse caso", afirmou.
Como o inquérito do dossiê tramita em segredo de Justiça, os parlamentares têm que manter o teor dos depoimentos prestados à PF em sigilo. Por esse motivo, os deputados e senadores são proibidos de revelar publicamente o que Fernandes e Aparecido afirmaram à Polícia Federal.
Serrano disse que só haverá acareação entre os dois se "eles estiverem conflitantes nos depoimentos". "Primeiro temos que ouvir os depoimentos, se não forem conflitantes, não há a necessidade", explicou.
Indiciamento
O delegado da PF Sérgio Menezes, que comanda o inquérito que investiga o dossiê, indiciou nesta sexta-feira o ex-secretário da Casa Civil por violação de sigilo funcional.
Ele é acusado de encaminhar o dossiê para Fernandes, por e-mail, sem respeitar o sigilo dos dados da Casa Civil. Segundo a PF, a pena para o crime varia de dois a seis anos de reclusão.
A PF informou que Aparecido não se recusou a responder nenhuma das perguntas apresentadas pelo delegado durante o depoimento, que durou duas horas e meia. Menezes prometeu encaminhar a íntegra dos depoimentos à CPI nesta sexta-feira, uma vez que a Justiça Federal determinou que a PF envie o material à comissão.
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Especial


o Aparecido.
Qual será o motivo que não querem punir
severamente o mesmo, apenas um corre-
tivo, o funcionário vazadou, deveria ser
exonerado do cargo, será medo que o
Aparecido abra o bico.
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