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Brasil
31/07/2008 - 20h40

Presidente do TSE pede para eleitores votarem em candidatos com ficha limpa

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RENATA GIRALDI
GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

A dois meses das eleições municipais, o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Carlos Ayres Britto, fez nesta quinta-feira um pronunciamento, em cadeia nacional de rádio e televisão, no qual conclama os eleitores a votarem nos candidatos com ficha limpa. Britto pede para os eleitores buscarem o máximo de informação sobre os candidatos e votarem naqueles que tiverem uma "vida moralmente limpa".

"Votar com todo entusiasmo, toda alegria, toda liberdade, toda atenção, dando um chega pra lá nos compradores de votos e buscando o máximo de informação quanto ao candidato mais democrático. Mais democrático e de vida moralmente limpa, além de comprovadamente capaz de conduzir os destinos do seu município, isso porque o futuro do seu município, eleitor, será o seu próprio futuro", disse ele no pronunciamento.

O debate sobre os antecedentes dos candidatos ficou ganhou fôlego depois da AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) divulgar uma lista com candidatos a prefeito e vice-prefeito que respondem a processos por improbidade administrativa na Justiça.

No pronunciamento, Ayres Britto disse que o eleitor deve compreender que eleição "não é engarrafamento de trânsito nem cadeia, penitenciária ou velório".

Segundo ele, eleição é "uma festa, uma dança e uma celebração". "Merecemos o melhor e não devemos tirar por menos. Eleição não é engarrafamento de trânsito, nem cadeia ou penitenciária, não é um velório. Eleição é ponto mais alto e mais luminoso da democracia representativa. Por isso deve ser vivida como uma festa, uma dança, uma celebração", disse o ministro.

Segundo o presidente do TSE, quando o voto é ruim os mandatos "arrastam-se". Já quando ele é bom pode se comparar à rapidez de uma corrida de 100 metros rasos.

"Quatro anos passam rapidamente --uma corrida de 100 metros-- se o nosso voto é bom; quatro anos arrastam-se em passo de tartaruga se o nosso voto é ruim. Este é um ano de ventura, portanto, um ano de felicidade, um ano de sair da platéia para subir ao palco da urna eletrônica e ali decidir sobre nossos próprios destinos, sobre nossa própria qualidade de vida", disse o ministro.

Para os que comparam a eleição como um momento de transtorno no cotidiano, Ayres Britto defendeu que votar é a possibilidade de o cidadão ter condições de atuar civicamente. "Ela [a eleição] não atrapalha nada, muito pelo contrário, bota para andar de braços dados o civismo e a soberania popular e tudo pelo modo mais fácil possível, pois quando a eleição é municipal nós conhecemos mais de perto os candidatos e só é preciso votar em dois deles --um voto para vereador, um voto para prefeito, sendo que o voto para prefeito já vale para o vice", disse ele.

Ficha suja

A CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado aprovou em julho um projeto de lei complementar que torna inelegíveis candidatos com "ficha suja" na Justiça. Em votação simbólica, a maioria dos integrantes da comissão se mostrou favorável às mudanças na legislação para restringir a candidatura de políticos condenados na Justiça em qualquer instância.

O projeto segue agora para votação no plenário do Senado, mas ainda precisa ser aprovado pela Câmara para entrar em vigor.

O texto não deve ser aprovada pelo Congresso a tempo de vigorar nas eleições municipais de outubro.

O STF (Supremo Tribunal Federal) caminha para rejeitar a ação da AMB (Associação dos Magistrados Brasileiros) que torna inelegíveis candidatos condenados pela Justiça em qualquer instância, mesmo que os processos não tenham sido julgados em definitivo.

A Folha Online apurou que a proibição de candidaturas de políticos com "ficha suja" divide os ministros do tribunal, mas a expectativa na Suprema Corte é que a maioria dos seus integrantes se coloque contra a ação da AMB --que deve entrar na pauta de julgamento do plenário no dia 6 de agosto.

Íntegra

A seguir, a íntegra do pronunciamento do ministro

"Eleitoras e eleitores brasileiros,

Estou aqui para saudá-los, para felicitá-los pela oportunidade que todos temos de tratar muito bem os nossos municípios e para tratar muito bem os nossos municípios, basta votar certo na próxima eleição popular no dia 5 de outubro.

Votar com todo entusiasmo, toda alegria, toda liberdade, toda atenção, dando um chega pra lá nos compradores de votos e buscando o máximo de informação quanto ao candidato mais democrático. Mais democrático e de vida moralmente limpa, além de comprovadamente capaz de conduzir os destinos do seu município, isso porque o futuro do seu município, eleitor, será o seu próprio futuro.

Quatro anos passam rapidamente --uma corrida de 100 metros -- se o nosso voto é bom; quatro anos arrastam-se em passo de tartaruga se o nosso voto é ruim.

Este é um ano de ventura, portanto, um ano de felicidade, um ano de sair da platéia para subir ao palco da urna eletrônica e ali decidir sobre nossos próprios destinos, sobre nossa própria qualidade de vida.

Merecemos o melhor e não devemos tirar por menos. Eleição não é engarrafamento de trânsito, nem cadeia ou penitenciária, não é um velório. Eleição é ponto mais alto e mais luminoso da democracia representativa. Por isso deve ser vivida como uma festa, uma dança, uma celebração.

Ela não atrapalha nada, muito pelo contrário, bota para andar de braços dados o civismo e a soberania popular e tudo pelo modo mais fácil possível, pois quando a eleição é municipal nós conhecemos mais de perto os candidatos e só é preciso votar em dois deles --um voto para vereador, um voto para prefeito, sendo que o voto para prefeito já vale para o vice.

Tudo tão simples quanto pedir a bênção aos nossos pais. Tão necessário, quanto cuidar dos nossos filhos.

Boa noite!"

Comentários dos leitores
Infelismente no nosso país mesmo quando o povo quer mudar alguma coisa, é muito difícil,pois, os políticos é quem fazem as leis e eles mesmos as alteram como bem entendem passando por cima da ética e principalmente da democracia. O presidente Michel Temer deveria dar exemplo e defender a opinião do povo, pois é para isso que eles são colocados lá para defender e aprovar o que o povo pede com justiça. Se ele já quer mudar o projeto de lei, querendo defender o seu, procure ao povo se eles o aprovam!! Vamos lutar por uma política sadia que poderá mudar de verdade o futuro de nosso país, governar com o povo e para o povo, e não com suas próprias opiniões!! sem opinião
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Antonio Fouto Dias (2459) 30/09/2009 01h27
Antonio Fouto Dias (2459) 30/09/2009 01h27
Ainda sobre esse projeto de lei popular objetivando limpar do meio político os "fichas-sujas", creio que a imprensa deveria fazer uma cobertura publicando cada etapa do andamento do mesmo, assim como o nome de cada deputado ou senador que apresentem emendas ou se pronunciem contra. sem opinião
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Antonio Fouto Dias (2459) 30/09/2009 01h22
Antonio Fouto Dias (2459) 30/09/2009 01h22
Um milhão e trezentas mil assinaturas(1.300.000) foram colhidas para a apresentação de projeto de lei que cerceia aquele que possui ficha suja em participar como candidato em eleições.
Vejam bem, esse número representa muitas vezes mais de pessoas que comungam com o projeto e que não puderam assinar para maior representatividade; mesmo assim, não há respeito nenhum dos legisladores para com o clamor popular, pois alguns ou muitos já se manifestaram de que irão apresentar emendas, alterando a redação para que o ficha-suja possa participar como candidato, incrível isso, não?
Se a vontade popular é a de que não possa vir a ser candidato, por qual motivo será que esses parlamentares simplesmente não a acatam?
Não dá para escrever o que pensamos a respeito, pelo simples motivo de correr o risco de não ser publicado, mas creio que é de conhecimento público.
sem opinião
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