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Brasil
12/08/2008 - 20h08

Juiz da Satiagraha diz que presidente do STF ficou irado com 2ª ordem de prisão de Dantas

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GABRIELA GUERREIRO
da Folha Online, em Brasília

Em depoimento à CPI das Escutas Clandestinas da Câmara, o juiz Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Criminal da Justiça Federal de São Paulo, disse nesta terça-feira que o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, ficou "irado" com a sua decisão de prender pela segunda vez o banqueiro Daniel Dantas, na Operação Satiagraha --depois que Mendes havia concedido habeas corpus para liberar o banqueiro.

De Sanctis disse que a desembargadora Suzana Camargo, do TRF (Tribunal Regional Federal) de São Paulo, lhe relatou em conversa telefônica que Mendes havia ficado irritado com a sua decisão.

"Ela [desembargadora] tomou conhecimento por parte do ministro da prisão. O ministro estava, segundo a versão dela, realmente irado. Tomou para o pessoal, o que não foi. Ela disse isso para mim', afirmou o juiz.

De Sanctis disse que, na conversa, a desembargadora se mostrou "perplexa" com a sua postura de decretar uma nova prisão de Dantas mesmo após a decisão do STF de libertá-lo pela primeira vez.

"Houve ligação dela para mim querendo saber se eu tinha decretado a prisão preventiva. Eu disse que sim. Ela ficou um pouco perplexa. Minha decisão não tem nada a ver com a do [delegado] Protógenes Queiroz. Tentei fazer um trabalho técnico, só isso", afirmou.

De Sanctis voltou a negar que, na conversa com a desembargadora, tenha afirmado que havia autorizado o monitoramento do gabinete de Mendes no STF.

O juiz disse à CPI que nunca autorizou qualquer escuta telefônica ou ambiental contra ministros da Corte. O juiz não descarta processar judicialmente os envolvidos no caso pelo que chama de 'informação incorreta' supostamente repassada a Mendes.

"Me causou surpresa tudo isto. Custo acreditar que isso seja realidade, o comentário feito pela Corte superior. Ainda penso se é caso de se tomar uma medida ou não. Ligações de desembargadores para mim não têm ocorrido. Cada advogado sabe como é o juiz. Às vezes pode ligar para tirar dúvidas, mas não mais que isso. Qualquer tentativa de influência sobre a minha pessoa, todo mundo sabe que é um caminho furado."

Escuta

Em meio à Operação Satiagraha, da Polícia Federal, o presidente do STF recebeu da desembargadora a informação de que seu gabinete no tribunal teria sido monitorado pela Polícia Federal a pedido de Sanctis.

Relatório da Secretaria de Segurança do STF, publicado pela revista "Veja" desta semana, diz que o gabinete do presidente da Corte foi alvo de "um possível monitoramento [escuta ilegal] que pode ter ocorrido nas proximidades do edifício sede". O Supremo informou que adotou "medidas necessárias" para evitar escutas.

O relatório diz que, em 10 de julho, numa varredura de rotina, foi detectada suspeita de um grampo, que, mesmo instalado fora do prédio, seria capaz de captar conversas no gabinete do assessor-chefe da presidência do STF, sala que, diz a revista, é usada pelo ministro para reuniões. A varredura ocorreu um dia após o presidente do STF mandar soltar Daniel Dantas, preso em 8 de julho.

Comentários dos leitores
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Prestem atenção que são os que deveriam ser investigados, os que nomeiam e colocam em cargos importantes, personagens de seus interesses..., cito como exemplo a "POLÍCIA FEDERAL"..., depois da troca de comando, depois do afastamente forçado do Delegado Protógenes..., nunca mais prendeu um deputado ou senador ou ainda magistrados envolvidos em roubos, escândalos, venda de sentenças e corrupção e etc..., então, tem duas hipóteses..., ou tem "GENTE DE CASA" no comando..., ou da noite para o dia..., "TODOS ELES FICARAM HONESTOS"..., o que, eu, particularmente, acho impossível. sem opinião
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Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Deu-me boa impressão o questionamento feito pelo Senado ao Dr. Trezza e as suas respostas equilibradas. Discrição, Dr. Trezza. Todo o Brasil está aguardando que a gestõ de V.Sa. se revista de sabedoria, de equidade e de força. sem opinião
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Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Infelizmente o STJ decide, mais uma vez, de forma política e em defesa de interesses particulares, envolvendo-se politicamente nas decisões. É uma pena ver o poder judiciário se prestar pasra isso. sem opinião
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