Brasil
08/07/2009 - 08h27

Notas frias encobriram propina na Satiagraha, diz Ministério Público

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FLÁVIO FERREIRA
da Folha de S.Paulo

O Ministério Público Federal afirma que o dinheiro usado por emissários do banqueiro Daniel Dantas para tentar subornar policiais que coordenavam a Operação Satiagraha foi "esquentado" contabilmente por meio de contratos simulados e notas fiscais frias. A acusação foi feita na denúncia oferecida à Justiça Federal de São Paulo na última sexta-feira.

Segundo a acusação formal apresentada pelo procurador da República Rodrigo de Grandis, a empresa Igbraz, que pertence ao executivo Humberto José Rocha Braz, foi a principal peça de um esquema de simulações para encobrir a origem e o objetivo dos recursos utilizados para tentar corromper os policiais federais.

Braz e o empresário Hugo Chicaroni foram condenados a sete anos de prisão, e Dantas a dez anos, em decisão de primeira instância do juiz da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, Fausto Martin De Sanctis, pelo oferecimento de suborno aos delegados da Polícia Federal.

Os acusados de corrupção ativa negam o crime e suas defesas já apresentaram recurso ao TRF (Tribunal Regional Federal) da 3ª Região.

O texto da nova denúncia indica que "merece destaque, em ordem a demonstrar o grau de articulação do grupo criminoso chefiado por Daniel Valente Dantas, a constatação de que notas fiscais emitidas pelas empresas de Humberto Braz foram utilizadas para dissimular a retirada de recursos do grupo Opportunity, os quais foram oferecidos ao delegado de Polícia Federal Victor Hugo Rodrigues Alves Ferreira".

O advogado de Braz, Renato de Moraes, disse ontem que a acusação da procuradoria não tem fundamento. "Todos os serviços de consultoria prestados pela Igbraz ao grupo Opportunity foram efetivamente realizados, nunca foram simulados. O que se infere de qualquer diálogo é uma interpretação que não corresponde à verdade. Em nenhum momento qualquer atividade da empresa Igbraz teve relação com alguma atividade ilícita ou relação com o episódio que redundou no processo sobre corrupção. Isso é fruto de uma articulação equivocada do Ministério Público Federal".

Andrei Zenkner Schmidt, advogado de Daniel Dantas e do grupo Opportunity, afimou ontem: "negamos peremptoriamente, seja por essa empresa [Igbraz] ou qualquer outra empresa, ou por meio de qualquer outra prática, qualquer disponibilização de valores [para corromper policiais]".

Comentários dos leitores
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Igor Bevilaqua (730) 25/11/2009 09h14
Prestem atenção que são os que deveriam ser investigados, os que nomeiam e colocam em cargos importantes, personagens de seus interesses..., cito como exemplo a "POLÍCIA FEDERAL"..., depois da troca de comando, depois do afastamente forçado do Delegado Protógenes..., nunca mais prendeu um deputado ou senador ou ainda magistrados envolvidos em roubos, escândalos, venda de sentenças e corrupção e etc..., então, tem duas hipóteses..., ou tem "GENTE DE CASA" no comando..., ou da noite para o dia..., "TODOS ELES FICARAM HONESTOS"..., o que, eu, particularmente, acho impossível. sem opinião
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Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Luís da Velosa (1424) 25/11/2009 08h12
Deu-me boa impressão o questionamento feito pelo Senado ao Dr. Trezza e as suas respostas equilibradas. Discrição, Dr. Trezza. Todo o Brasil está aguardando que a gestõ de V.Sa. se revista de sabedoria, de equidade e de força. sem opinião
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Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Nelson Vaughan (111) 22/11/2009 13h58
Infelizmente o STJ decide, mais uma vez, de forma política e em defesa de interesses particulares, envolvendo-se politicamente nas decisões. É uma pena ver o poder judiciário se prestar pasra isso. sem opinião
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