04/07/2004
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08h55
A história de Serra Pelada começa em 1976, quando um geólogo do DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral) encontrou amostras de ouro no sul do Pará, segundo o jornalista Ricardo Kotscho ("Serra Pelada, uma ferida aberta na selva").
A notícia da descoberta, mantida inicialmente em sigilo, começou a se espalhar em 1977. Em outubro daquele ano, o presidente da CVRD (Companhia Vale do Rio Doce), que tinha direitos sobre a jazida, confirmou a existência de ouro na Serra dos Carajás.
Em 1979, um garimpeiro encontrou ouro no local. O ministro de Minas e Energia, Shigeaki Ueki, fez o anúncio oficial da existência do metal em Carajás. A partir de 1980, levas de migrantes se deslocaram para o Pará e invadiram o garimpo, que pertencia a uma subsidiária da Vale, a Docegeo.
Em 21 de maio de 1980, o governo federal promoveu uma intervenção na área, já ocupada por 30 mil garimpeiros. Áreas de lavra e garimpeiros foram registrados pela Receita Federal, e todo ouro encontrado deveria ser vendido à Caixa Econômica Federal. A intervenção foi comandada pelo militar Sebastião Rodrigues de Moura, o major Curió.
Em 1981, os depósitos de ouro na superfície se esgotaram, e a Vale tentou reaver a posse da área. Mas os interesses eleitorais (havia 80 mil garimpeiros na área) levaram o governo a fazer obras para prorrogar a extração manual. Em 1982, o garimpo é reaberto, e Curió foi eleito deputado federal.
Curió tomou posse na Câmara em 1983 e propôs uma lei que dava permissão para que garimpeiros continuassem explorando o ouro de Serra Pelada por cinco anos. Em 1984, a Vale recebeu indenização de US$ 59 milhões.
O apogeu do garimpo ocorreu em 1983, quando foram extraídas 13,9 toneladas de ouro. De 1984 a 1986, a produção se manteve em torno de 2,6 toneladas anuais. Caiu para 2,2 em 1987, ano em que os garimpeiros interditam a ponte rodoferroviária sobre o rio Tocantins: eles queriam que o governo rebaixasse a cava do garimpo. No dia seguinte, uma operação da PM do Pará para desimpedir a ponte deixou três garimpeiros mortos, segundo a PM. De acordo com os garimpeiros, o número de mortos passou de 60.
A produção continuou caindo. Em 1988, foi de 745 kg, e, em 1990, de menos de 250 kg. Em março de 1992, o governo não renovou a autorização de 1984, e o garimpo voltou a ser concessão da Vale. Em 1996, os garimpeiros restantes invadiram a mina, mas uma operação do Exército e da Polícia Federal pôs fim à obstrução de 171 dias nos acessos a Serra Pelada.
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da Folha de S.PauloA história de Serra Pelada começa em 1976, quando um geólogo do DNPM (Departamento Nacional de Produção Mineral) encontrou amostras de ouro no sul do Pará, segundo o jornalista Ricardo Kotscho ("Serra Pelada, uma ferida aberta na selva").
A notícia da descoberta, mantida inicialmente em sigilo, começou a se espalhar em 1977. Em outubro daquele ano, o presidente da CVRD (Companhia Vale do Rio Doce), que tinha direitos sobre a jazida, confirmou a existência de ouro na Serra dos Carajás.
Em 1979, um garimpeiro encontrou ouro no local. O ministro de Minas e Energia, Shigeaki Ueki, fez o anúncio oficial da existência do metal em Carajás. A partir de 1980, levas de migrantes se deslocaram para o Pará e invadiram o garimpo, que pertencia a uma subsidiária da Vale, a Docegeo.
Em 21 de maio de 1980, o governo federal promoveu uma intervenção na área, já ocupada por 30 mil garimpeiros. Áreas de lavra e garimpeiros foram registrados pela Receita Federal, e todo ouro encontrado deveria ser vendido à Caixa Econômica Federal. A intervenção foi comandada pelo militar Sebastião Rodrigues de Moura, o major Curió.
Em 1981, os depósitos de ouro na superfície se esgotaram, e a Vale tentou reaver a posse da área. Mas os interesses eleitorais (havia 80 mil garimpeiros na área) levaram o governo a fazer obras para prorrogar a extração manual. Em 1982, o garimpo é reaberto, e Curió foi eleito deputado federal.
Curió tomou posse na Câmara em 1983 e propôs uma lei que dava permissão para que garimpeiros continuassem explorando o ouro de Serra Pelada por cinco anos. Em 1984, a Vale recebeu indenização de US$ 59 milhões.
O apogeu do garimpo ocorreu em 1983, quando foram extraídas 13,9 toneladas de ouro. De 1984 a 1986, a produção se manteve em torno de 2,6 toneladas anuais. Caiu para 2,2 em 1987, ano em que os garimpeiros interditam a ponte rodoferroviária sobre o rio Tocantins: eles queriam que o governo rebaixasse a cava do garimpo. No dia seguinte, uma operação da PM do Pará para desimpedir a ponte deixou três garimpeiros mortos, segundo a PM. De acordo com os garimpeiros, o número de mortos passou de 60.
A produção continuou caindo. Em 1988, foi de 745 kg, e, em 1990, de menos de 250 kg. Em março de 1992, o governo não renovou a autorização de 1984, e o garimpo voltou a ser concessão da Vale. Em 1996, os garimpeiros restantes invadiram a mina, mas uma operação do Exército e da Polícia Federal pôs fim à obstrução de 171 dias nos acessos a Serra Pelada.
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