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22/07/2004 - 14h17

Ações da Brasil Telecom despencam com suposto escândalo de espionagem

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da Folha de S.Paulo
JANAINA LAGE
da Folha Online

As ações da operadora de telefonia Brasil Telecom, que atua em nove Estados do centro-sul do país e o Distrito Federal, e da Brasil Telecom Participações lideraram as perdas hoje na Bovespa após o mercado tomar conhecimento de que a empresa promoveu uma suposta espionagem envolvendo o alto escalão do governo, conforme revelou reportagem da Folha.

No fim da manhã, as ações da operadora chegaram a cair 5,06% e os papéis da Brasil Telecom Participações tiveram queda de 5,65%. No fechamento dos negócios, porém, os papéis da operadora cederam 3,7% e terminaram cotados a R$ 11,41. Já as ações da Participações encerraram com baixa de 5,9%, a R$ 18,30 cada.

Segundo analistas, os investidores estão se desfazendo dos papéis da empresa com a percepção de que a briga entre os sócios não deve ser resolvida no tempo previsto.

A reportagem revela que um serviço contratado pela Brasil Telecom para investigar a Telecom Italia atingiu ministros e prefeituras do PT. O controle acionário da empresa é alvo de uma disputa entre a Telecom Italia e o banco Opportunity.

A Kroll Associates, empresa contratada pela presidente da Brasil Telecom, Carla Cico, teve acesso a e-mails antigos do ministro Luiz Gushiken (Comunicação e Gestão Estratégica do governo). A investigação atingiu não só o governo petista, como também administrações municipais controladas pelo PT e outras empresas fora do setor de teles.

A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) havia estipulado um prazo até julho de 2005 para que a disputa fosse resolvida. Além disso, segundo analistas, a notícia deixa claro que as empresas estão dispostas a empregar métodos cada vez mais pesados para garantir o controle da Brasil Telecom.

O escândalo surge um dia após a Brasil Telecom conseguir um empréstimo de R$ 1,26 bilhão com o BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social). O dinheiro será usado para que a operadora execute seu plano de expansão dos serviços de telecomunicações (voz, dados e imagens).

Nesta semana, após a Standard & Poor's elevar a nota de crédito da empresa, a Brasil Telecom divulgou anúncios afirmando ser "muito, muito confiável". Hoje, a operadora conta com a melhor nota de crédito entre as empresas de telefonia do país.

Segundo Roger Oey, analista de telecomunicações do Banif Investment Banking, as ações da empresa devem sofrer ainda mais volatilidade conforme o desenrolar da história. "As explicações da empresa e o comportamento do governo frente a esse episódio devem fazer com que o papel registre oscilações ainda maiores", diz.

O governo já anunciou que vai adotar adotar medidas jurídicas contra os envolvidos na denúncia.

Para Eduardo Rocha, analista de telecomunicações do BES Securities, a hipótese de algum tipo de ingerência do governo sobre a disputa está descartada. "A notícia tirou a disputa pelo controle de uma esfera empresarial, para adquirir também uma conotação política. A solução do conflito, no entanto, deve permanecer entre os sócios", diz.

Controle

A briga entre os sócios da empresa é antiga. Recentemente, o Opportunity optou por investir na telefonia móvel. De acordo com analistas, a Telecom Italia teve que engolir a mudança na estratégia. A Telecom Italia já atua na telefonia móvel no Brasil por meio da TIM. Rumores davam conta que a empresa italiana poderia voltar ao controle da Brasil Telecom, mas sem participar das decisões estratégicas de telefonia móvel.

A disputa pelo controle da empresa começou em agosto de 2002, quando a Telecom Italia transferiu metade das suas ações com direito a voto na operadora de telefonia fixa para o Opportunity. Na época, a Telecom Italia desejava inaugurar uma rede nacional de GSM via TIM. Ela só poderia fazê-lo, de acordo com as normas da Anatel, quando a Brasil Telecom atingisse as metas de universalização.

Pelo acordo, a Telecom Italia lançaria o serviço e compraria as ações de volta quando a Brasil Telecom tivesse o certificado de cumprimento das metas.

Mas, no fim de 2002, a Brasil Telecom decidiu adquirir licenças de celular, o que criou uma barreira à volta da TI --a legislação impede que uma empresa seja acionista de duas operadoras de celular na mesma área.

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