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16/08/2005 - 21h38

Doleiro diz que operou para PT e cita Thomaz Bastos e Henrique Meirelles

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LÚCIA BAKOS
da Folha Online

O doleiro Antônio Oliveira Claramunt, o Toninho da Barcelona, afirmou aos integrantes da CPI dos Correios que operou dólares para o PT no exterior e prometeu apresentar provas, caso consiga negociar a delação premiada --mecanismo pelo qual um réu diz o que sabe em troca de um alívio na pena.

Segundo a senadora Ideli Salvatti (PT-SC), durante o depoimento que ocorreu na sede da Delegacia de Polícia Geral, no centro de São Paulo, ele deu a entender que teria feito remessas de dólares para o exterior para o então advogado criminalista Márcio Thomaz Bastos.

Segundo Ideli, Toninho da Barcelona diz saber muita coisa, mas só vai falar quando conseguir a delação premiada. "Em boa parte das perguntas, ele dá a entender que teria provas. Está buscando com a CPI uma forma para a sua redução penal. Com isso, está jogando uma série de iscas."

Toninho da Barcelona também citou a relação do deputado José Dirceu (PT-SP) com a corretora Bônus-Banval, além de dar a entender que poderia falar mais sobre o ex-tesoureiro Delúbio Soares, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles e o deputado José Janene (PP-PR).

Depois de chorar e afirmar aos membros da CPI que está vivendo em situação de insegurança no presídio de Avaré, o doleiro disse ter recebido a visita de cerca de 15 emissários identificados inicialmente como advogados de ações trabalhistas. Apartir daí, alguns dos parlamentares solicitaram a transferência dele para outro estabelecimento penal.

"Está claro que o objetivo dele é negociar. Ele fez relatos do tempo em que estava na prisão, falou do medo que sente em relação a sua família, mas também deixou claro que tem informações para passar", acrescentou o deputado Maurício Rands (PT-PE). Uma dessas informações mais detalhadas que interessam aos parlamentares, de acordo com o deputado, seria a de que Toninho da Barcelona conhece todas as negociações no exterior do Banco Rural até março de 2005. "Ele foi o menos detalhista possível, mas como tem um conjunto de informações, me parece ser uma pessoa importante para ser ouvida na CPI".

No depoimento, o doleiro também acusou as operações Anaconda e Farol da Colina, da PF (Polícia Federal), que resultou em sua prisão, de terem sido totalmente dirigidas por terem prendido doleiros específicos.

O deputado Pompeo de Mattos (PDT-RS) também contou que, durante o depoimento, Toninho da Barcelona afirmou saber de operações financeiras do ano de 1995 muito claramente, e que por isso teme por sua vida. "Ele sabe de informações ligadas ao governo de FHC (Fernando Henrique Cardoso), governo do Estado, governo municipal e do atual governo federal. Até o caso Pitta ele citou", disse.

Mattos ainda detalhou que o depoente admitiu ter duas offshore, embora os parlamentares sabem que ele tem três. "Além da Atrium, que é a terceira, ele participa de uma quarta, a Monteiro, que funciona dentro da Lespan Casa Cambiara, no Uruguai. Por isso estamos pedindo que ele vá depor em Brasília na próxima terça-feira", acrescentou.

Após o término do depoimento, os parlamentares votaram um requerimento no qual solicitavam que o doleiro fique detido na capital paulista, e seguiram para Brasília.

Toninho da Barcelona, segundo o secretário estadual de Segurança Pública, Saulo de Castro Abreu e Filho, foi removido para um CDP (Centro de Detenção Provisória). Ele foi condenado a 25 anos de prisão em três processos sobre lavagem de dinheiro, evasão de divisas e crimes tributários.

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