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09/10/2006 - 21h41

Cientistas políticos dizem que candidatos empataram no debate

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JAMES CIMINO
da Folha Online

A despeito dos humores dos correligionários deste ou daquele partido, cientistas políticos da USP (Universidade de São Paulo) e da UnB (Universidade de Brasília) afirmam que nem Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nem Geraldo Alckmin (PSDB) venceram o debate de ontem ocorrido na Band.

"Pode ter havido uma vitória no sentido de ele [Alckmin] ter surpreendido, não só ao Lula, como a todos, com seus ataques, mas nada que tenha deixado Lula para trás", afirma o professor Lúcio Rennó, da UnB. "Alckmin foi conciso, agressivo e tocou nos pontos principais [do governo Lula]. Além disso, não se intimidou perante Lula e o deixou na defensiva grande parte do tempo."

Rennó considera Lula um político com "grande experiência em debates" e assinala como "histórico" o fato de o presidente ter comparecido ao confronto. Também aprova a postura do petista no primeiro turno da eleição.

"Lula fez certo em não ter ido aos debates [do primeiro turno]. Inclusive ao da Globo, porque ele iria se confrontar com ex-companheiros de partido e seria prejudicado com isso", ponderou o professor.

Apesar dos elogios ao petista, Rennó destaca que o candidato tucano conseguiu conquistar alguns eleitores durante a transmissão. "Eu não vejo Lula perdendo, mas vejo Alckmin ganhando alguns votos de Cristovam Buarque", complementou.

Já Maria do Socorro Sousa Braga, doutora pela USP e professora de partidos e sistemas partidários na Ufscar (Universidade Federal de São Carlos), considera que não houve debate, mas "combate".

"De fato não houve um debate de idéias, para que, pelo menos, os indecisos pudessem analisar as propostas de ambos e tirassem suas dúvidas. Ontem foram criadas outras dúvidas, e as principais questões não foram respondidas, como a questão econômica. Afinal, 'o que fazer com a estabilidade econômica?'", diz a professora, que também se surpreendeu com a "postura agressiva de Alckmin".

Para os dois professores, Alckmin não conseguiu atingir a parcela do eleitorado de renda mais baixa que vota em Lula. "Ele tentou se consolidar naquela classe média que, segundo pesquisa do Datafolha, ganha até R$ 700 e que tende a votar no Lula, porque o discurso dele não entra nas classes populares", diz Maria do Socorro, que também afirma que "o eleitorado de Lula já está conquistado".

Mito

Os dois cientistas políticos concordaram em outro ponto. Para ambos, Alckmin não conseguiu desfazer o mito do torneiro mecânico que ascendeu socialmente e alcançou o cargo mais alto do país.

"Acho que Alckmin até tentou criticar o mito em torno de Lula falando em corrupção, mas considero impossível de desconstruir esse mito por causa dos ganhos e resultados que têm influência decisiva na vida das pessoas", analisou Lúcio Rennó, em referência às políticas sociais do governo do PT.

Os professores acreditam que, para substituir um mito, apenas outro daria conta da demanda, e que Alckmin não tem essa postura. "Ele teria de se vender como alguém tão ou mais preocupado com políticas sociais", diz Rennó, "mas Lula tem algo além, como sua história de vida", complementou Maria do Socorro.

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