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19/10/2005 - 09h12

Prefeitura suspende rampa antimendigo em São Paulo

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AFRA BALAZINA
da Folha de S.Paulo

O subprefeito da Sé, Andrea Matarazzo, adiou por tempo indeterminado a construção de uma das rampas antimendigo na passagem subterrânea que liga a avenida Paulista à Doutor Arnaldo, na zona oeste de São Paulo.

A justificativa para a construção de rampas, segundo o subprefeito, era evitar a ocorrência de assaltos, principalmente quando o trânsito está congestionado.

Ao ser anunciada, a construção das rampas causou polêmica na cidade e foi criticada por sociólogos, advogados e urbanistas ouvidos pela Folha. Os obstáculos, bastante inclinados e com superfície áspera, dificultam a permanência de pessoas no local.

De um modo geral, eles consideraram que a ação era meramente repressiva e pretendia apenas expulsar os moradores de rua de áreas nobres da cidade.

Ontem, Matarazzo afirmou que a rampa iniciada no lado direito de quem vai da Paulista para a Doutor Arnaldo, cujas obras estão paradas há cerca de três semanas, será concluída. Entretanto, a rampa que haveria do outro lado foi suspensa no momento.

"A obra deve continuar provavelmente depois de amanhã. Aí vamos avaliar o resultado de um lado, ver como é que fica a questão do assalto. Depois, a gente decide, vê se vai ser necessária [a construção da outra rampa]."

A medida contradiz a afirmação feita pela subprefeitura no dia 22 de setembro. Foi informado à reportagem que no dia seguinte, 23 de setembro, a rampa estaria concluída de um lado. Na seqüência, a administração começaria a obra no sentido oposto da via.

Além disso, o lado da pista sem a rampa é o que costuma ficar mais congestionado --os carros se acumulam na passagem quando o semáforo da Paulista está fechado. Matarazzo argumenta que o lado oposto ganhou a rampa antes porque era onde as pessoas ficavam escondidas para assaltar.

Na opinião do coronel Roberto Rodrigues, comandante do 7º Batalhão da Polícia Militar, "a rampa por si só não garantiria a segurança no local". "Pode ajudar, mas não vai impedir crimes", diz.

Segundo ele, as ocorrências na passagem nunca foram alarmantes. E afirma que há dois meses um carro da Polícia Militar fica na passagem nos horários em que o trânsito está carregado, pela manhã e ao final da tarde.

Diz também que existe um trailer da polícia há aproximadamente um ano entre a rua da Consolação e a Paulista, em cima da passagem, que também ajuda a evitar a ocorrência de crimes.

"O fato de os jovens de rua ficarem parados na passagem causa temor aos motoristas, mesmo que não façam nada", afirma.

Meninos

Adolescentes que deixaram de viver na passagem com o início da construção da rampa voltaram para a região da Paulista na semana passada. Agora, eles ficam entre os acessos para as avenidas Doutor Arnaldo e Rebouças. Quase a todo momento é possível vê-los aspirando cola.

Porém, ao som de Ivete Sangalo, da banda Calypso e de Jennifer Lopez, eles têm conseguido ficar mais longe das drogas.

Numa oficina de consciência cultural promovida em conjunto pela Subprefeitura de Pinheiros e pela Secretaria da Assistência Social, os jovens dançam, fazem alongamento, dão cambalhotas, estrelas, saltos. Depois, desenham, escrevem frases para compor um rap e brincam com argila.

A oficina, realizada pela pedagoga e professora voluntária Denise Paixão, já teve cinco encontros. A idéia é completar dez. Os participantes têm entre dez e 18 anos e são reunidos por agentes de proteção social, que os acordam nas ruas.

Primeiro, o grupo é levado para tomar banho em uma entidade na avenida Rebouças. Às 10h30, os adolescentes almoçam --o cardápio de ontem foi arroz, feijão, carne moída com batata e cenoura e banana de sobremesa. Depois, em um ônibus da prefeitura, eles seguem para a biblioteca pública Alceu Amoroso Lima, onde acontece a atividade.

"Já vejo um resultado positivo. Agora, eles ficam cerca de três horas sem usar cola. Nos dois primeiros encontros, saíam o tempo todo para cheirar e, quando voltavam, deitavam", diz a professora.

Após a oficina, costumava ser servido um lanche para os participantes, que foi suspenso na semana passada porque uma grande rede de supermercado que o patrocinava deixou de colaborar.

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