11/09/2006
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05h19
O coronel da reserva da PM Ubiratan Guimarães, assassinado na noite de domingo (10) em São Paulo, alegava não gostar do "estigma" de "coronel de Carandiru", mas costumava utilizar o número 111 em suas campanhas políticas --o número é o mesmo do total de mortos no episódio que ficou conhecido como massacre do Carandiru, em 1992.
Como candidato pelo PPB a deputado estadual, em 2002, adotou o número 11190. Atualmente, buscando a reeleição pelo PTB, o número de sua candidatura era 14111.
Ubiratan garantia que o número nada tinha a ver com os 111 mortos no massacre da Casa de Detenção do Carandiru. O coronel defendia que 111 era o número do cavalo que montava nos seus tempos de Regimento de Cavalaria.
Ubiratan trabalhou 34 anos na Polícia Militar. Nos anos 70, durante a ditadura militar, combateu as ações guerrilheiras no Vale do Ribeira (SP). Como oficial, comandou a Cavalaria, a Rota e o Policiamento Metropolitano. E foi na condição de comandante do Policiamento Metropolitano que o coronel liderou a operação destinada a controlar uma rebelião sem reféns no Carandiru, em 2 de outubro de 1992.
Logo após a entrada dos policiais militares no Pavilhão Nove da Casa de Detenção, o coronel Ubiratan foi ferido pela explosão de um botijão de gás e levado a um pronto-socorro. A operação terminou horas depois, com um total de 111 presos mortos.
Ubiratan sempre defendeu a operação e nunca foi preso pelo massacre. Em julho de 2001, foi condenado pelo Tribunal do Júri a 632 anos de prisão. Ele recorreu em liberdade e acabou absolvido em fevereiro deste ano: por 20 votos a 2, os desembargadores do Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo anularam a decisão anterior e consideraram que os jurados pretendiam absolver, e não condenar, o coronel do Carandiru.
Transformado num nome conhecido do grande público após o massacre, Ubiratan entrou na política. Ele tomou posse como suplente de deputado estadual pelo PSD em 1997. Foi reeleito em 2002 pelo PPB.
Como deputado, o coronel reformado fez da segurança pública sua principal bandeira. Na Assembléia Legislativa, era considerado um dos membros da "bancada da bala", parlamentares adeptos da "linha dura" no combate à violência, ao lado de nomes como Conte Lopes (PTB) e Afanásio Jazádi (PFL).
Ubiratan era contra o desarmamento da população, defendia o fim da maioridade penal e a adoção de regras mais rígidas para os detentos, como o fim das visitas íntimas e das saídas temporárias.
Sobre o massacre, o coronel do Carandiru repetia sempre que tinha "consciência limpa". "Não comandei massacre algum. Agi no estrito cumprimento do dever legal à frente de uma operação de retomada de um presídio rebelado e em chamas", costumava dizer.
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Coronel Ubiratan usava o número 111 em campanhas políticas
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da Folha OnlineO coronel da reserva da PM Ubiratan Guimarães, assassinado na noite de domingo (10) em São Paulo, alegava não gostar do "estigma" de "coronel de Carandiru", mas costumava utilizar o número 111 em suas campanhas políticas --o número é o mesmo do total de mortos no episódio que ficou conhecido como massacre do Carandiru, em 1992.
Como candidato pelo PPB a deputado estadual, em 2002, adotou o número 11190. Atualmente, buscando a reeleição pelo PTB, o número de sua candidatura era 14111.
Ubiratan garantia que o número nada tinha a ver com os 111 mortos no massacre da Casa de Detenção do Carandiru. O coronel defendia que 111 era o número do cavalo que montava nos seus tempos de Regimento de Cavalaria.
Ubiratan trabalhou 34 anos na Polícia Militar. Nos anos 70, durante a ditadura militar, combateu as ações guerrilheiras no Vale do Ribeira (SP). Como oficial, comandou a Cavalaria, a Rota e o Policiamento Metropolitano. E foi na condição de comandante do Policiamento Metropolitano que o coronel liderou a operação destinada a controlar uma rebelião sem reféns no Carandiru, em 2 de outubro de 1992.
Logo após a entrada dos policiais militares no Pavilhão Nove da Casa de Detenção, o coronel Ubiratan foi ferido pela explosão de um botijão de gás e levado a um pronto-socorro. A operação terminou horas depois, com um total de 111 presos mortos.
Ubiratan sempre defendeu a operação e nunca foi preso pelo massacre. Em julho de 2001, foi condenado pelo Tribunal do Júri a 632 anos de prisão. Ele recorreu em liberdade e acabou absolvido em fevereiro deste ano: por 20 votos a 2, os desembargadores do Órgão Especial do Tribunal de Justiça de São Paulo anularam a decisão anterior e consideraram que os jurados pretendiam absolver, e não condenar, o coronel do Carandiru.
Transformado num nome conhecido do grande público após o massacre, Ubiratan entrou na política. Ele tomou posse como suplente de deputado estadual pelo PSD em 1997. Foi reeleito em 2002 pelo PPB.
Como deputado, o coronel reformado fez da segurança pública sua principal bandeira. Na Assembléia Legislativa, era considerado um dos membros da "bancada da bala", parlamentares adeptos da "linha dura" no combate à violência, ao lado de nomes como Conte Lopes (PTB) e Afanásio Jazádi (PFL).
Ubiratan era contra o desarmamento da população, defendia o fim da maioridade penal e a adoção de regras mais rígidas para os detentos, como o fim das visitas íntimas e das saídas temporárias.
Sobre o massacre, o coronel do Carandiru repetia sempre que tinha "consciência limpa". "Não comandei massacre algum. Agi no estrito cumprimento do dever legal à frente de uma operação de retomada de um presídio rebelado e em chamas", costumava dizer.
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