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04/03/2007 - 14h25

Mulher morre ao inalar gás de buzina no Carnaval

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do Agora

Quando A.R.M., uma jovem de classe média de 25 anos, pressionou com os dentes a válvula de uma lata de buzina a gás aerossol, um jato a -20ºC tomou conta imediatamente de seu corpo. As vias aéreas gelaram, houve tontura, alucinação e a sensação de que sinos badalavam dentro de sua cabeça.

A moça estava no clima do Carnaval, com primos, curtindo trios elétricos em uma avenida de Serra Negra (150 km de SP). O "barato" durou poucos segundos, e ela tombou desacordada. A descontração deu lugar ao desespero dos que a rodeavam. O socorro chegou rápido, mas ela já entrou sem vida no hospital.

Tudo aconteceu na segunda-feira de Carnaval, dia 19, às 23h45. O expediente utilizado pela jornalista de Mogi-Mirim (162 km de SP) tem sido cada vez mais procurado por jovens em busca de súbita euforia. Eles têm feito das buzinas a gás uma espécie de lança-perfume encontrável a R$ 8 em qualquer esquina da 25 de Março, popular centro de compras na área central da capital. Quem quiser dispensar a corneta pode encontrar só o refil por R$ 3 a menos.

Por mais que também sejam apresentados como itens de comunicação e sinalização, é no aspecto da diversão que se foca o apelo comercial. Os modelos, nomes, cores de embalagem e chamarizes são os mais diversos: "Buzina do Barulho", "Buzina da Alegria", "do Timão" etc..

Basicamente, preenche estas latas uma combinação dos gases butano e propano --utilizados, em dosagens distintas, em isqueiros, botijões, geladeiras e aparelhos de ar-condicionado.

No caso das buzinas, o gás é expelido sob forte pressão e passa por um espécie de válvula de plástico capaz de produzir um ruído, que é amplificado pela corneta.

Segundo especialistas em toxicologia, inalada, a combinação butano-propano pode substituir, por alguns poucos segundos, o oxigênio que vai ao cérebro, causando sensação de euforia, falta de ar e tonturas. Esta queda da quantidade de oxigênio, explicam, pode causar desmaios, convulsões e até a morte. A descrição dos efeitos --como os "sinos badalando"-- são dos usuários.

Investigação

Em Serra Negra, o delegado Rodrigo Cantadori aguarda os laudos necroscópico e toxicológico para saber o que especificamente matou A.M.R..

Cantadori explica que a responsabilidade pelo caso vai pender para o fabricante ou para a própria vítima. "Se ficar caracterizado que havia algum elemento químico de uso controlado e que eles [fabricantes] não têm autorização para manusear este produto, ou que não havia alertas no frasco, o fabricante poderá responder. Do contrário, aí realmente foi uso indevido e risco do consumidor."

Um dos problemas para o inquérito é que a polícia não encontrou a lata utilizada pela jovem. "Quando ela caiu, teve aquele tumulto na rua e a gente acabou não a encontrando", apontou Cantadori.

O Agora tentou contatar o médico Luís Sakabe, responsável pelo IML (Instituto Médico Legal) de Bragança Paulista (83 km de SP), que examinou o corpo da jornalista, mas não obteve retorno até a conclusão desta reportagem, na noite de sexta. Também não conseguiu localizar os familiares de A.R.M..

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