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13/01/2007 - 21h55

"Peço desculpas aos usuários do YouTube", diz Daniella Cicarelli

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DIÓGENES MUNIZ
da Folha Online

Daniella Cicarelli, 26, enfim, pediu desculpas pelo bloqueio temporário do YouTube, ocorrido na última semana. Neste sábado (13), a apresentadora da MTV se reuniu com manifestantes que exigiram sua demissão do canal. A Folha Online teve acesso exclusivo ao áudio das desculpas. O encontro foi feito dentro de um estúdio, e os jornalistas não puderam acompanhar.

Diógenes Muniz/Folha Imagem
VJ Rafael Losso tentou acalmar os ânimos:
VJ Rafael Losso tentou acalmar
os ânimos: "Por que protestar?"
"Peço desculpas pelo transtorno às pessoas ligadas ao YouTube. Pessoas que eu nem conheço, nem sei quem são. Gosto de internet tanto quanto vocês", disse aos manifestantes, na presença do diretor-geral da MTV, Zico Góes e do VJ Rafael Losso, além de produtores, assessores e seguranças da emissora. A cena foi gravada pelo próprio canal, que deve usá-la na próxima semana.

O protesto estava marcado para o meio-dia, mas só começou por volta das 13h. Antes disso, os poucos jovens presentes --aficionados por informática, pelo visto-- reuniram-se no metrô Sumaré (zona oeste). A pauta de discussão ainda não era a Cicarelli, mas leis e direitos na internet, compartilhamento de arquivos na rede e como burlar uma possível censura na web.

"O [site de vídeos] Daily Motion é muito lento e o GoogleVideos não tem espaço para comentários", avaliava o organizador da manifestação, Márcio Motta, 22. No metrô, Motta dizia que o protesto era, em primeiro lugar, contra a censura na rede e depois contra "o cinismo da Cicarelli, que não representa jovem nenhum". "Além do que, ninguém mais via aquele vídeo dela. Até o da Rita Cadillac é melhor", afirmou o dono da comunidade "Protesto - Fora Cicarelli!", com mais de 13 mil usuários.

Já o administrador de redes Gustavo Molina retomou outra questão polêmica, o projeto-de-lei do senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG) para regulamentar a utilização da internet. Segundo o projeto, o acesso sem identificação prévia deveria ser punido com reclusão de dois a quatro anos. "É impossível fazer esse tipo de censura na internet, por causa dos proxys", explicou Molina.

Diógenes Muniz/Folha Imagem
MTV, não somos idiotas, diz cartaz de manifestante
"MTV, não somos idiotas", afirma um dos cartazes levados pelos manifestantes
Internautas que tiveram seu acesso ao YouTube bloqueado na última semana (mais de 5 milhões em todo o Brasil) usaram serviços "Free Proxy", que "disfarçam" sites (como o Youhide.com), permitindo a navegação "anônima" e sem rastreamento.

Manifestação diferente

Em frente ao edifício Victor Civita, onde opera a MTV, dez jovens e 21 jornalistas se aglomeravam às 13h. Nada de bandeiras vermelhas ou gritos de ordem. Um carro de som tocava uma paródia à canção "Nós Vamos Invadir Sua Praia", do Ultraje A Rigor. "Daqui do morro dá pra ver bem legal / O que a Dani fez lá no litoral / Veja o lado bom, Daniella / A Paris Hilton vendeu o vídeo dela." A paródia, de autoria do humorista Maurício Ricardo, está disponível no Charges.com.br.

Empunhando cartazes, os manifestantes posaram por quase meia hora para a imprensa. Em uma das cartolinas, lia-se: "Que exemplo! Transou sem camisinha." E em outra: "MTV! Escolha: Ou ela ou nós."

Durante a semana, a assessoria de imprensa do canal divulgou que não haveria ninguém para receber o protesto. Na verdade, um esquema de guerra estava montado. Às 13h30, uma produtora do "Beija Sapo", de nome não revelado, tirava foto dos presentes.

Diógenes Muniz/Folha Imagem
Zico Góes (esquerda) com manifestantes fora da MTV
O diretor-geral da MTV, Zico Góes (esquerda), com manifestantes fora da emissora
"Isso é ridículo. Eles falam do AI-5 (Ato Institucional nº 5, de 1968), mas não viveram o AI-5, não viveram a Ditadura", criticou. "Vamos usar essa situação para o nosso lado. Para nós, tudo é material."

Alguns minutos depois, o VJ Rafael Losso, o "Rafa", saiu com seu microfone (sem o logo da MTV) para entrevistar os que protestavam. A falta de foco dos manifestantes, então, pareceu pouca coisa perto de sua argumentação.

"Por que protestar? Por que vocês não montam uma banda de rock?", perguntou. E pouco depois, sobre a declaração de Cicarelli de que nada tinha a ver com o bloqueio, discursou: "Ela pode mentir. Isso é democracia, é a pessoa poder mentir."

Zico Góes, diretor-geral da emissora, também foi à rua e negou a possibilidade de demissão. "Estou preocupado, mas a imagem da MTV não está arranhada."

Góes contou que Cicarelli conduziu mal o caso desde o início da divulgação do vídeo, na época do VMB. "A gente bateu o pé, porque ela estava p., não queria falar do vídeo no ar." Segundo Góes, "Cicarelli não sabe o que fazer por não ter ninguém para assessorá-la. Ela sempre vem procurar a gente."

Racha

Por volta das 13h40, os manifestantes foram levados para o hall da MTV. Sem entrar em acordo, foram convidados a ir aos estúdios, onde encontrariam Cicarelli. Por mais de duas horas, o grupo de jovens e a modelo conversaram. Alguns filmaram pelo celular. Segundo os presentes, além de se desculpar, a modelo disse que vai associar sua imagem à luta por "leis digitais". Ninguém especificou, ao certo, que leis seriam essas.

Divulgação
Após o vídeo, Cicarelli valorizou seu passe e renovou contrato com MTV
Após o vídeo, Cicarelli valorizou seu passe e renovou contrato com MTV
A modelo ainda alegou que havia entrado com o processo apenas para impedir a veiculação de seu vídeo. O agravo que resultou no bloqueio do YouTube, de autoria do namorado Renato Malzoni, não possui sua influência, teria afirmado ela.

Ao sair do estúdio, os funcionários da MTV e alguns jovens do protesto se declararam em comum acordo. "Nos comprometemos a lutar pela liberdade de expressão", disse Góes. Apesar de poucos, os manifestantes se dividiram.

O comerciante Aldo Júnior, 48, chegou à manifestação atrasado, mas a MTV não permitiu sua entrada no edifício. De acordo ele, os jovens manifestantes foram cooptados pelo canal. "Vocês se venderam, e ela [Cicarelli] está se promovendo com esse caso. Foram dobrados!", gritava.

Uma boa solução para o caso, dizia Aldo, era tirar a Cicarelli do ar por dois dias. "São os dois dias que o YouTube ficou fora." O estudante Thomaz Ferrari entrou nos estúdios e viu Cicarelli de perto. Mas saiu descontente. "Foi um esquema feito para abafar", disse ele.

"Antes nós estávamos sem foco. Agora a gente tem um foco, que são as leis digitais", afirmou Eduardo Rodrigo, 23, que horas antes usava uma camisa com os dizeres "Queremos Justiça". Segundo ele, a Cicarelli vai se transformar, de um ícone da censura, em um ícone contra a censura na rede.

Até o organizador do protesto saiu satisfeito. No fim da tarde, ele gravou com uma equipe da MTV algumas cenas que também devem ir ao ar na próxima semana, falando sobre internet. Seus colegas, céticos, torceram o nariz ao vê-lo segurando um microfone com o logo do canal.

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