03/02/2006
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18h30
da Folha Online
Quase dois anos depois dos distúrbios que levaram à renúncia do presidente Jean-Bertrand Aristide, o Haiti vai às urnas em um clima de dúvida na próxima terça-feira (7). Enquanto a ONU (Organização das Nações Unidas) afirma que a violência não vai afetar o processo eleitoral, candidatos e eleitores duvidam do sucesso do pleito temendo a ação de milícias e as dificuldades logísticas.
"Nós não esperamos que o processo eleitoral seja destruído pela violência no dia do pleito. Talvez haja problemas aqui e ali, mas eles acontecem em qualquer país", afirmou o chefe do Departamento de Informações Públicas da Minustah (Missão das Nações Unidas de Estabilização do Haiti), David Wimhurst, em entrevista exclusiva à Folha Online, por telefone, de Porto Príncipe.
O porta-voz da missão da ONU defende que a violência está sob controle no país e culpa a mídia pela imagem de insegurança que o Haiti tem. "Eu acho que há uma incompreensão da mídia --eu culpo principalmente a mídia por isso--, que concentra suas atenções nos problemas de Cité Soleil, que é uma favela muito pequena, um local pobre, violento [em Porto Príncipe]."
Segundo Wimhurst, com exceção do bairro de Cité Soleil, o clima é de segurança. "Eles se esquecem do resto do Haiti, que está bem, sem quaisquer problemas. Então há essa idéia de que o Haiti é um lugar muito violento, mas ele não é", declarou.
Escolas fechadas
Nos dias 6, 7 e 8 de fevereiro, as escolas e repartições públicas do país estarão fechadas para evitar problemas. Além disso, a companhia aérea dos Estados Unidos American Airlines cancelou os vôos com destino ao Haiti na véspera e no dia do pleito temendo distúrbios.
Mas um país com o histórico de eleições tão conturbadas quanto o Haiti não deve encarar o pleito com tamanha naturalidade. Muitos haitianos ainda se lembram de novembro de 1987, quando gangues armadas sabotaram o processo eleitoral com uma ação coordenada. No sangrento episódio, mais de 30 pessoas foram mortas e 70 feridas por bandos que levaram pânico ao país.
O temor da ação de grupos armados está desencorajando os haitianos de participar da votação da próxima terça-feira, informou nesta sexta-feira a organização humanitária internacional Oxfam em um comunicado.
"Muitos moradores de Porto Príncipe nos disseram que estão com muito medo para sair às ruas para votar na terça-feira. Pessoas inocentes têm suportado uma onda de violência nos últimos dois anos", afirmou Yolette Etienne, coordenadora da Oxfam no Haiti, no comunicado.
Depois de quatro adiamentos, as eleições presidenciais e legislativas terão o apoio dos efetivos da Minustah e da Polícia Nacional do Haiti.
Transparência
Além da dúvida quanto à tranqüilidade do país no dia do pleito, alguns candidatos alegaram desconfiar da lisura do processo. Para eles, a escolha dos 40 mil funcionários que irão trabalhar no pleito não foi feita de maneira transparente.
O candidato à presidente Paul Denis previu que o dia 7 será de "frustração e raiva" para os eleitores. "O governo interino, apoiado pela comunidade internacional, optou deliberadamente por evitar que as pessoas votem ao forçá-las a andar oito horas para chegar ao centro de votação", denunciou Denis à agência Reuters. "Será a pior eleição organizada na história recente do Haiti", opinou.
"Do meu ponto de vista, serão as eleições mais confiáveis que já aconteceram no país", estimou o presidente do CEP (Conselho Eleitoral Provisório), Max Mathurin, em entrevista à agência France Presse.
De acordo com o CEP, os resultados parciais serão computados em um centro de apuração eletrônico, uma novidade no sistema eleitoral do país, e os números finais devem ser divulgados três dias após o pleito.
"Eu acredito que talvez os problemas sejam mais de natureza técnica, como o horário de abertura e fechamento das seções eleitorais", disse Wimhurst.
No dia 7 de fevereiro, haverá 802 seções eleitorais para 3,5 milhões de eleitores, tudo sob a fiscalização de observadores internacionais, principalmente da União Européia e do Canadá, que enviará 106 observadores.
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GUILHERME GORGULHOda Folha Online
Quase dois anos depois dos distúrbios que levaram à renúncia do presidente Jean-Bertrand Aristide, o Haiti vai às urnas em um clima de dúvida na próxima terça-feira (7). Enquanto a ONU (Organização das Nações Unidas) afirma que a violência não vai afetar o processo eleitoral, candidatos e eleitores duvidam do sucesso do pleito temendo a ação de milícias e as dificuldades logísticas.
"Nós não esperamos que o processo eleitoral seja destruído pela violência no dia do pleito. Talvez haja problemas aqui e ali, mas eles acontecem em qualquer país", afirmou o chefe do Departamento de Informações Públicas da Minustah (Missão das Nações Unidas de Estabilização do Haiti), David Wimhurst, em entrevista exclusiva à Folha Online, por telefone, de Porto Príncipe.
O porta-voz da missão da ONU defende que a violência está sob controle no país e culpa a mídia pela imagem de insegurança que o Haiti tem. "Eu acho que há uma incompreensão da mídia --eu culpo principalmente a mídia por isso--, que concentra suas atenções nos problemas de Cité Soleil, que é uma favela muito pequena, um local pobre, violento [em Porto Príncipe]."
Segundo Wimhurst, com exceção do bairro de Cité Soleil, o clima é de segurança. "Eles se esquecem do resto do Haiti, que está bem, sem quaisquer problemas. Então há essa idéia de que o Haiti é um lugar muito violento, mas ele não é", declarou.
Escolas fechadas
Nos dias 6, 7 e 8 de fevereiro, as escolas e repartições públicas do país estarão fechadas para evitar problemas. Além disso, a companhia aérea dos Estados Unidos American Airlines cancelou os vôos com destino ao Haiti na véspera e no dia do pleito temendo distúrbios.
Mas um país com o histórico de eleições tão conturbadas quanto o Haiti não deve encarar o pleito com tamanha naturalidade. Muitos haitianos ainda se lembram de novembro de 1987, quando gangues armadas sabotaram o processo eleitoral com uma ação coordenada. No sangrento episódio, mais de 30 pessoas foram mortas e 70 feridas por bandos que levaram pânico ao país.
O temor da ação de grupos armados está desencorajando os haitianos de participar da votação da próxima terça-feira, informou nesta sexta-feira a organização humanitária internacional Oxfam em um comunicado.
"Muitos moradores de Porto Príncipe nos disseram que estão com muito medo para sair às ruas para votar na terça-feira. Pessoas inocentes têm suportado uma onda de violência nos últimos dois anos", afirmou Yolette Etienne, coordenadora da Oxfam no Haiti, no comunicado.
Depois de quatro adiamentos, as eleições presidenciais e legislativas terão o apoio dos efetivos da Minustah e da Polícia Nacional do Haiti.
Transparência
Além da dúvida quanto à tranqüilidade do país no dia do pleito, alguns candidatos alegaram desconfiar da lisura do processo. Para eles, a escolha dos 40 mil funcionários que irão trabalhar no pleito não foi feita de maneira transparente.
O candidato à presidente Paul Denis previu que o dia 7 será de "frustração e raiva" para os eleitores. "O governo interino, apoiado pela comunidade internacional, optou deliberadamente por evitar que as pessoas votem ao forçá-las a andar oito horas para chegar ao centro de votação", denunciou Denis à agência Reuters. "Será a pior eleição organizada na história recente do Haiti", opinou.
"Do meu ponto de vista, serão as eleições mais confiáveis que já aconteceram no país", estimou o presidente do CEP (Conselho Eleitoral Provisório), Max Mathurin, em entrevista à agência France Presse.
De acordo com o CEP, os resultados parciais serão computados em um centro de apuração eletrônico, uma novidade no sistema eleitoral do país, e os números finais devem ser divulgados três dias após o pleito.
"Eu acredito que talvez os problemas sejam mais de natureza técnica, como o horário de abertura e fechamento das seções eleitorais", disse Wimhurst.
No dia 7 de fevereiro, haverá 802 seções eleitorais para 3,5 milhões de eleitores, tudo sob a fiscalização de observadores internacionais, principalmente da União Européia e do Canadá, que enviará 106 observadores.
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