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Juca Kfouri

Há dois meses, em Itaquera

No dia 12 de junho começava a Copa no Brasil; ninguém imaginava o vexame que viria no Mineirão

ANTEONTEM FEZ dois meses que começou a 20ª Copa do Mundo.

O mais otimista dos brasileiros esperava que a seleção nacional seria hexacampeã.

O mais pessimista apostava que a seleção seria eliminada ainda na primeira fase. Conforme o nível de pessimismo o time cairia sucessivamente nas oitavas, nas quartas, quando muito nas semifinais, pois chegar à final era impensável.

Em termos práticos, puramente na avaliação do resultado alcançado, foi o que aconteceu.

O time de Neymar, sem ele, parou nas semifinais, entre os quatro melhores do mundo, algo menor por se tratar do futebol pentacampeão, mas não desprezível ou, ao menos, não vexaminoso.

Aqui mesmo isto foi escrito com todas as letras antes e depois da sofrida vitória contra a Colômbia: o medo do vexame está afastado.

Não estava.

Porque nem o mais pessimista dos pessimistas imaginava o placar do jogo no Mineirão, de cujos números, desta vez e apenas desta vez, a rara leitora e o raro leitor serão poupados. Bastará lembrar que só uma mente pornográfica acharia que os alemães pintariam o sete na casa dos orgulhosos anfitriões da Copa. Aliás, também os visitantes, no melhor de seus delírios, rejeitariam hipótese tão estapafúrdia.

Julia tem seis anos e não deu muita bola para a Copa, ao contrário de sua irmã, Luiza, de nove.

Anteontem seu avô perguntou a ela se havia visto o jogo inteiro e a resposta foi sim. "Mas o que você pensava a cada gol da Alemanha?"

Baixinho, mesmo longe dos pais, Julia respondeu: "Nossa, que merda."

Mais não disse nem lhe foi perguntado. Também não ficou triste, ao contrário de Luiza, que sofreu e até hoje parece sofrer quando toca no assunto, verdadeiro despertar para as frustrações do futebol às quais terá de se acostumar pela vida afora, corintiana que é, embora, mais contente que triste com seu time do coração depois de 2012, que acompanhou de perto sem entender tanto quanto agora.

Porque um olhar para o começo da Copa, e para a maneira como a seleção se despediu, revela que maior até que ser eliminada na primeira fase, com derrota para a Croácia na abertura, ou pelo Chile (maldita bola no travessão no minuto final) ou ainda pela Colômbia, foi o vexame imposto pelos germânicos.

Menos mal que o país não acusou o golpe como em 1950. Não entrou em depressão, nem escolheu culpados, ao contrário, até minimizou o injusto papel imposto aos bodes expiatórios de então que hoje podem ficar em paz.

Quem o Brasil não pode deixar em paz não são nem os comandantes Marin/Nero do naufrágio titanesco (nada a ver com o bom Tite, o técnico que a Luiza gosta, mas com o Titanic...), mas, sim, a estrutura que lhes trouxe à luz e os mantém vivos feito assombrações.


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