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Juca Kfouri

Fim do estado de graça

Tudo indica que o que era doce se acabou.
E o Corinthians volta ao seu velho estilo

O FUTEBOL VIVE de chavões nem sempre inteiramente verdadeiros, mas que, de algum modo, tiveram razão de ser. São certas coisas que só acontecem com o Botafogo, mesmo que aconteçam também com outros times.

Ou que Santos, Palmeiras e Cruzeiro só valorizam vitórias jogando bonito, quando, de fato, muitas vezes ganham jogando feio e valorizam igualmente.

Ou que craque o Flamengo faz em casa, verdade de uma época que há muito não se repete.

Já o São Paulo é o clube da elite, embora seja cada vez mais popular.

E o Corinthians tem de sofrer para gozar seus triunfos, algo que entre o dia 4 de julho passado e o 20 de fevereiro em Oruro virou folclore. Porque entre a conquista da Libertadores e o sinalizador fatal, foi tudo festa, nas vitórias, nos empates e até nas derrotas.

Dava tudo certo quando tinha de dar desde que Romarinho tocou na bola pela primeira vez na Bombonera, e Guerrero derrotou o Chelsea, e Alexandre Pato estreou fazendo gol também em seu primeiro toque com a camisa alvinegra.

Ou ainda antes, quando Cássio evitou o gol do Vasco.

A Fiel, da qual a Gaviões faz parte ínfima, mesmo que barulhenta, viveu em lua de mel com o time e o time com ela, por mais de sete meses.

Só que tudo indica que a morte em Oruro transformou a festa que parecia que iria perdurar em novo gigantesco desafio. A alegria desapareceu do rosto corintiano pelo gesto irresponsável de um torcedor.

O estigma de sofredores nunca, por ironia sem graça do destino, soou tão verdadeiro, mesmo que só o pensamento fascistoide possa rotular os corintianos, maioria em todos as classes sociais, como responsáveis pela tragédia.

O bando de loucos não é nada mais que uma porção de apaixonados pelo clube, criação popular que encontra eco na mídia porque se não encontrasse provaria que a mídia é cega, surda e muda.

Mas cabe ao time, a maior vítima deste episódio depois do menino morto, superar um desafio maior que a Libertadores ou o Mundial.

Contra o Millonarios, com impressionante maturidade, deu o primeiro passo. Muitos mais terá de dar para voltar a desfrutar da alegria dos melhores sete meses da história centenária de um dos maiores fenômenos do futebol mundial.

FIM DA ILUSÃO

Por sete jogos, o Palmeiras alimentou a ilusão que, com o time atual, não poderia perdurar e, em Assunção, a ascensão sofreu um baque. Previsível, mas nada além de um baque, contornável, se o time se fortalecer.

FIM DA SOBERANIA

Se a pobre atuação do São Paulo contra o Strongest não foi um acidente de percurso, será curta a vida tricolor na Libertadores.

FIM DA MORALIZAÇÃO

O abandono dos clássicos estaduais nas rodadas finais do Brasileirão e a renúncia do chefe da arbitragem têm a cara de José Maria Marin.


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