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Governo brasileiro quer e-mail nacional contra 'bisbilhotice'

Objetivo é que sistema dos Correios rivalize com Gmail e Hotmail

NATUZA NERY RENATA AGOSTINI DE BRASÍLIA

O governo brasileiro encomendou aos Correios o desenvolvimento de um sistema nacional de e-mail. Previsto para ser lançado no segundo semestre de 2014, ele terá como mote comercial a segurança contra "bisbilhotices".

O plano é criar uma alternativa brasileira aos populares Hotmail, da Microsoft, e Gmail, do Google.

A estatal já vinha trabalhando em um sistema de correspondência eletrônica para fins empresariais, que contaria com certificação de entrega ao ser lido pelo destinatário.

Após o mundo conhecer casos de espionagem do governo dos Estados Unidos, o Ministério das Comunicações pediu que o escopo do negócio fosse ampliado para um serviço nacional.

Para o Executivo, os serviços atuais se provaram vulneráveis desde que o ex-técnico Edward Snowden revelou documentos secretos da americana NSA (Agência Nacional de Segurança), mostrando que as empresas daquele país são obrigadas a fornecer dados dos usuários de seus serviços.

"Eu te mando um e-mail e não quero que ninguém fique bisbilhotando. No ano passado, [os EUA] fizeram 311 solicitações [às empresas]. Não estão trabalhando no varejo", disse à Folha o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo. "É preciso estimular um serviço de e-mail mais seguro."

Segundo ele, o e-mail dos Correios contará com criptografia para resguardar a privacidade dos usuários, e os dados devem ser armazenados no Brasil, diferentemente do que ocorre quando se usa o Gmail, por exemplo.

A criptografia atua como um envelope de uma correspondência tradicional. O mecanismo dificulta que a mensagem seja violada.

"Sem ela, a espionagem fica bem fácil durante a transmissão. Mas, por si só, não é suficiente", afirma Pedro Rezende, professor da UnB e especialista em computação.

Ele destaca que o código escolhido deve ser complexo o bastante para evitar que a mensagem seja decifrada.

Para que o usuário do futuro serviço esteja de fato protegido, ele terá de se certificar que o destinatário da mensagem também utilize o e-mail dos Correios. Caso contrário, a criptografia não funcionará.

A ideia inicial era que o serviço fosse pago. Mas, diante da nova disposição do governo, a estatal ainda estuda o modelo de negócios. O Gmail e o Hotmail, os mais usados no país, são gratuitos.

"Os Correios têm uma bandeira de credibilidade grande. Entregam carta no Brasil há 350 anos e ninguém acha que eles ficam bisbilhotando", afirmou o ministro.

Competir com Google e Microsoft é missão das mais difíceis, considerando que os serviços de e-mail dessas empresas estão presentes em milhões de computadores brasileiros. Por isso, a aposta é no atrativo da segurança.

O governo também pretende mexer na legislação para garantir segurança ao usuário. Irá propor ao Congresso que equipare a leitura de correspondência eletrônica à violação de cartas.

"No Brasil, abrir [correspondência de terceiros] é crime. Precisa ser assim com e-mail também", afirma o ministro Bernardo.

Questionados se o usuário brasileiro simplesmente não correria o risco de trocar a "bisbilhotice" estrangeira pela nacional, o ministro e a cúpula da estatal negaram.


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