Saltar para o conteúdo principal Saltar para o menu
 
 

Lista de textos do jornal de hoje Navegue por editoria

New York Times

  • Tamanho da Letra  
  • Comunicar Erros  
  • Imprimir  

Ensaio - Katherine Bouton

Livro fala de sons, ruídos e desejo pelo silêncio

Música ouvida pelo filho pode soar como cacofonia aos pais

Mike Goldsmith já reuniu muitos fatos sobre o ruído, alguns familiares -caminhões são barulhentos-, alguns dignos de nota -o Big Bang foi silencioso- e alguns quase perdidos na história -o malfadado Concorde era tão ruidoso que, em 1976, foi temporariamente proibido de pousar nos EUA.

Goldsmith, doutor em astrofísica e antigo líder do grupo de acústica do Laboratório Nacional de Física do Reino Unido, é autor de muitos livros para leitores leigos sobre o assunto.

"Discord" [Discórdia] é uma história do som, a começar por Stonehenge, construída por volta de 2600 a.C..

Os especialistas nos dizem que, antigamente, o lugar reverberava como uma sala de concerto. Isso graças a sua superfície interna (de pedras) lisa e ligeiramente curva e apesar da ausência de teto. "Um impressionante feito de engenharia acústica", escreve ele.

Embora admita que "ruído" geralmente signifique "som indesejado", Goldsmith ocasionalmente funde o desejado ao indesejado. Fonógrafos, telefones e o automóvel contribuíram para aquilo que ele chama de "século do ruído".

Assim que os modernos prédios antirruído foram construídos, escreve ele, "seus habitantes preencheram esses espaços com a tecnologia produtora de ruído recentemente disponibilizada".

O fonógrafo e o rádio raramente eram considerados um ruído para quem os ouvia.

No entanto, se os usuários dos aparelhos fossem adolescentes e se eles aumentassem o volume, o som seria um ruído para os pais.

Goldsmith também fala do caminho do ruído para o som.

Pitágoras, conta ele, usava o conceito de dissonância para chegar às suas teorias sobre as razões simples dos números inteiros. Platão achava que o som ia do ouvido para o cérebro e de lá para o sangue, terminando no fígado. O som tem muitos usos benéficos na medicina (o gel do ultrassom, aliás, serve para impedir que o ar existente entre a máquina e a pele absorva o sinal).

E há o som que ninguém ouve -o infrassônico. Em 1998, cientistas em um laboratório relataram ver figuras cinzentas borradas, segundo uma revista científica.

Eles atribuíram o efeito a um exaustor cujo ruído infrassônico estava, por acaso, "na mesma frequência que faz os globos oculares vibrarem, gerando ilusões visuais".

Embora os gregos já tenham no século 1° a.C. proibido ferreiros, oleiros e galos em zonas residenciais, o ruído tradicionalmente é visto apenas como um dos aspectos menos agradáveis da vida. Sêneca resumiu a visão romana a respeito do assunto ao afirmar que só gente sem fibra como os sibaritanos poderiam se incomodar com ele.

Goldsmith tenta ser otimista, mas não consegue a si mesmo -nem ao leitor- de que a poluição sonora um dia será mitigada.

"Apesar de milênios de conscientização, séculos de tentativa de controle e décadas de estudos científicos e de embates legislativos, o ruído indesejado continua sendo", escreve, "quase o mesmo problema de sempre".

No entanto, acrescenta: "Nós realmente podemos ter um amanhã mais silencioso se trabalharmos juntos para construí-lo".


Publicidade

Publicidade

Publicidade


Voltar ao topo da página