Saltar para o conteúdo principal Saltar para o menu
 
 

Lista de textos do jornal de hoje Navegue por editoria

Turismo

  • Tamanho da Letra  
  • Comunicar Erros  
  • Imprimir  

Maior museu holandês reabre após dez anos

Rijksmuseum ganhou novos espaços, com obras de Rembrandt e outros artistas dispostas em ordem cronológica

Paisagens que Frans Post pintou no Brasil durante a invasão holandesa ocupam sala no segundo andar

ENVIADO ESPECIAL A AMSTERDÃ

Foi uma obra de igreja --ou de estádio da Copa do Mundo, como o leitor preferir. Depois de uma longa reforma de dez anos, com gastos que ultrapassaram R$ 1 bilhão, Amsterdã voltou, enfim, a contar com o Rijksmuseum.

Não dá para visitar a cidade e não reservar algumas horas à instituição, que reúne uma coleção única de telas de Rembrandt, Vermeer, Hals e outros mestres holandeses.

Por fora, o palacete de 1885 continua o mesmo. Por dentro, ganhou novos espaços e restaurou a opulência original da Galeria de Honra, onde estão as joias mais conhecidas de seu acervo.

Mais que um museu de arte, o Rijksmuseum é o melhor lugar para se entender como um país tão pequeno conseguiu se tornar uma potência mundial no século 17.

A tarefa ficou mais fácil com a decisão de reorganizar as mais de 8.000 peças em ordem cronológica. Agora, quadros, esculturas, porcelanas e outras peças ocupam as mesmas salas, num passeio que vai da Idade Média até a era contemporânea.

Para quem tem pouco tempo ou gosta de começar o bolo pela cereja, a dica é subir direto para o segundo andar. Lá estão, divididos em 30 galerias, os tesouros da chamada Era de Ouro holandesa, período entre 1600 e 1700.

Foi quando o comércio pujante e a expansão marítima proporcionaram uma época de prosperidade, turbinada por riquezas trazidas da Ásia e das Américas.

O lar das obras-primas é a Galeria de Honra (Eregalerij, em holandês), um espaço monumental que volta a ter o mesmo aspecto de quando o museu foi aberto, em 1885.

O centro de tudo é "A Ronda Norturna", concluída por Rembrandt em 1642. A tela mostra, com incrível domínio do contraste claro-escuro barroco, o momento em que a companhia militar do capitão Frans Cocq começava a patrulhar as ruas da cidade.

É uma das pinturas mais famosas do mundo, e o assédio a ela no museu lembra o frenesi em torno da "Monalisa" no Louvre, em Paris. É preciso ter paciência para chegar perto do quadro, com mais de quatro metros de largura, e driblar os aprendizes de fotógrafo com suas câmeras e celulares em punho.

Em áreas um pouco menos congestionadas, estão outras grandes obras de Rembrandt, como o "Autorretrato como Apóstolo Paulo" (1661) e "Os Síndicos" (1662).

EM MOVIMENTO

Lá, também podem ser vistas quatro obras de Johannes Vermeer, que se voltou mais para a vida comum dos holandeses da Era de Ouro.

Vista de perto, "A Leiteira" (1660) impressiona pela perfeição no uso da luz e do movimento: quase dá para ouvir o leite escorrendo da jarra. Outra joia é "A Carta de Amor" (1670), com a tensão latente entre a empregada que traz o envelope e a patroa ansiosa para ler a mensagem.

Fora da galeria, mas ainda no segundo andar, estão algumas paisagens pintadas por Frans Post no Brasil durante a passagem dos holandeses pelo Nordeste até a expulsão pelos portugueses.

A coleção de telas náuticas lembra a quantidade de guerras que a Holanda travou para garantir suas rotas marítimas, numa época em que a única lei era a do mais forte.

Também merecem ser vistas as porcelanas de Delft, incluindo as surpreendentes pirâmides de flores.

Da era moderna, vale conferir o "Waterloo" de Pieneman, um dos grandes registros da maior derrota de Napoleão Bonaparte, e as cenas urbanas de Breitner, que pintou a Amsterdã do século 19.

Para quem gosta de moda, o museu exibe, entre as novidades, o vestido "Mondrian", do francês Yves Saint Laurent. Quem gosta de design vai apreciar uma rara cadeira branca do holandês Gerrit Rietveld. (BERNARDO MELLO FRANCO)

RIJKSMUSEUM
ENDEREÇO Museumstraat 1
FUNCIONAMENTO todos os dias do ano, das 9h às 17h
INGRESSO € 15 (cerca de R$ 43); jovens de até 18 anos não pagam entrada
SITE www.rijksmuseum.nl


Publicidade

Publicidade

Publicidade


Voltar ao topo da página