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07/04/2012 - 09h41

Suspensão do tempo

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MANUEL DA COSTA PINTO
COLUNISTA DA sãopaulo

O Kronos Quartet tem se destacado não apenas pela precisão e pela expressividade de suas interpretações mas também por encomendar obras a compositores contemporâneos -como o argentino Osvaldo Golijov, que em 2010 foi compositor residente da Osesp e já teve peças antológicas gravadas pela formação norte-americana.

O recém-lançado "Music of Vladimir Martynov" resulta de iniciativa semelhante, dessa vez com o compositor russo nascido em 1946 e filho de um musicólogo e biógrafo de Glinka e Chostakóvitch (segundo informações de Greg Dubinsky no encarte do CD). É ao pai, aliás, que Martynov dedica "Der Abschied" (a despedida), escrita após sua morte, em 2003, aos 96 anos, e cujo título é extraído do movimento final da "Canção da Terra", de Mahler.

Darrin Zammit Lupi - 18.jul.2011/Reuters
Músicos do Kronos Quartet se apresentam durante o Festival de Artes de Malta
Músicos do Kronos Quartet, que lançaram o "Music of Vladimir Martynov", se apresentam no Festival de Artes de Malta

Nessa lenta e comovente meditação, o compositor posterga a resolução de um motivo que se repete com ligeiras variações, prolongando o efeito de suspensão do tempo. A despedida se torna assim um adiamento da separação, replica as derradeiras pulsações de uma respiração agonizante (na leitura de Dubinsky).

No plano estritamente sonoro, ouvimos ecos anteriores e posteriores a Mahler, do prelúdio de "Tristão e Isolda" (Wagner), da "Noite Transfigurada" (Schoenberg), e a despedida se converte em retorno à linhagem que precedeu as dissonâncias atonais e o cerebralismo da música serial.

Martynov é representativo de uma tendência que, tendo à frente o estoniano Arvo Pärt, apropria-se do minimalismo de Philip Glass e John Adams, dotando-o de caráter litúrgico. Em "The Beatitudes", a repetição de uma mesma célula sonora está a serviço não de mantras melancólicos (como em Glass), mas de serenidade espiritual, de "bem-aventuranças" do título, que remete ao "Sermão da Montanha".

Na terceira peça do disco, "Schubert-Quintet (Unfinished)", Martynov amplifica o movimento de expansão do adágio do "Quinteto em Dó Maior" do compositor austríaco, como se quisesse encontrar um precursor, e permite outro reencontro: da violoncelista Joan Jeanrenaud com o quarteto que integrou por 20 anos.

MUSIC OF VLADIMIR MARTYNOV
Artista: Kronos Quartet
Gravadora: Nonesuch (R$ 66,40)

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