Três bases do Centro Tamar/ICMBio são fechadas, mas projeto continua, diz entidade

Extinção das bases ocorreu em locais sem uso do ICMBio; Projeto Tamar, privado, não foi impactado

São Paulo

Três bases do centro Tamar, do ICMBio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), foram fechadas nesta semana, segundo publicação no Diário Oficial da União na quinta (28), mas o Projeto Tamar, tocado por uma entidade privada de proteção às tartarugas, continua funcionando.

Duas dessas bases, já inoperantes, foram fechadas a pedido da própria autarquia, de acordo com relatos à reportagem e nota do presidente do ICMBio, Homero Cerqueira.

O fechamento ocorreu nas bases do centro Tamar em Parnamirim, no Rio Grande do Norte, em Pirambu, no Sergipe, e a Arembepe, em Camaçari, na Bahia.

A primeira fica dentro da Base Aérea da Barreira do Inferno, em área sob o comando da Aeronáutica. Os funcionários do local foram transferidos para Fernando de Noronha.

A segunda, no Sergipe, foi formalmente desativada porque o imóvel onde se encontrava está condenado, mas há planos de futura reconstrução, segundo nota do ICMBio.

A base em Camaçari foi transferida para Salvador, onde já existe aparelho do ICMBio. Segundo a autarquia, o local é mais estratégico para ações na orla do estado.

Além disso, o órgão afirma que houve adição de mais uma base em Caravelas, na Bahia, com uso da estrutura do Cepene (Centro Nacional de Pesquisa e Conservação da Biodiversidade Marinha do Nordeste).

Há uma diferença de ação entre o Projeto/Fundação Pró-Tamar e o Centro Tamar, do ICMBio. A primeira é uma entidade privada sem fins lucrativos que é parceira do governo e executa a maior parte das ações de conservação das tartarugas marinhas. O último, ligado à autarquia, coordena o plano nacional de conservação.

“As tartarugas estão bem”, afirma Neca Marcovaldi, coordenadora de conservação e pesquisa do Projeto Tamar e cofundadora e da Fundação Pró-Tamar.

A fundação lançou nota nesta sexta-feira (29) após a veiculação de informações de que suas bases teriam sido fechadas pelo governo Jair Bolsonaro (sem partido).

Tartarugas são soltas pelo Projeto Tamar na Praia do Forte, na Bahia
Tartarugas são soltas pelo Projeto Tamar na Praia do Forte, na Bahia - Raul Spinassé/Folhapress

Marcovaldi se diz preocupada com a repercussão e com a ideia de que ocorre uma desestruturação do programa, que está paralisado neste momento por causa da Covid-19, mas mantém suas bases de ação nos estados.

O ICMBio afirma que a sede do Centro Tamar é em Vitória, no Espírito Santo, com apoio de sete bases avançadas: uma em Fernando de Noronha, em Pernambuco; uma em Aracaju, no Sergipe; duas no Espírito Santo, em Regência Linhares e Guriri São Mateus; outras duas na Bahia, em Salvador e Caravelas; e uma em Florianópolis, em Santa Catarina.

A confusão acontece pouco tempo após ter vindo a público o vídeo de uma reunião ministerial na qual o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, afirma que o governo deve aproveitar o momento para “ir passando a boiada” para desregulamentar o setor ambiental e outros.

Salles, em suas redes sociais, publicou a foto de uma reportagem na revista Época que afirmava que ele havia extinto bases do Projeto Tamar e classificou a afirmação como “mentira”.

Há inúmeras outras entidades que também fazem parte da rede de pesquisa e conservação de tartarugas, todas elas orientadas pelo Centro Tamar, do ICMBio.

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