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'Super-heróis' da ciência nacional são protagonistas de livro

Ilustrada e abrangente, obra é voltada para público infantojuvenil e almeja inspirar futuros pesquisadores

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São Paulo

Entender o papel dos grandes cientistas e como seus achados transformaram o conhecimento pode ser uma tarefa difícil, mas três divulgadores científicos brasileiros assumiram a missão de deixar esse caminho bem mais fácil e prazeroso.

Lançado nesta semana, o livro “Super-heróis da Ciência: 52 brasileiros e suas pesquisas”, faz um recorte da ciência brasileira, com cientistas nascidos a partir da metade do século 19, para mostrar para o público infantojuvenil (e para quem mais se interessar) que há ali uma miríade de descobertas e contribuições importantes. Também pode ser visto como isca ara se apaixonar por tudo que a ciência tem a oferecer.

Os autores são a bióloga Ana Bonassa e a farmacêutica-bioquímica Laura Marise, ambas pesquisadoras de pós-doutorado da USP e criadoras do canal Nunca Vi 1 Cientista, que está no YouTube e nas redes sociais, e o farmacêutico-bioquímico Renan Araújo, que trabalha com planejamento de fármacos e que fundou o grupo de divulgação Via Saber.

Uma das ambições do trio era fazer do livro uma fonte de inspiração e um guia para jovens que almejam viver da pesquisa. Para isso, além de contar na prática qual é o passo a passo dessa trilha, houve uma preocupação em relatar a história de mulheres cientistas e de pessoas não brancas. O único negro, porém, é o médico Juliano Moreira (1872-1933), dermatologista e um dos precursores da psiquiatria nacional.

“Fiquei preocupada com a chance de ser mais um livro em que as pessoas veriam homens brancos triunfando, algo que eu realmente não queria que acontecesse”, afirma Laura Marise.

Claro, não é a capacidade intelectual que explica a discrepância, mas uma assimetria no acesso à educação superior que perdurou por muito tempo, diz Renan de Araújo. “Para nós, o fundamental é mostrar que a ciência é para todo mundo e humanizar o cientista.”

Da engenheira Carmen Portinho (1903-2001) à bióloga Mayana Zatz, provavelmente a mais conhecida geneticista do país, o livro reuniu uma boa quantidade de exemplos que podem servir de referência para as futuras cientistas.

A fórmula para escrever a respeito de pessoas de áreas tão distintas já vem sendo testada pelos autores em seus projetos de divulgação científica nas redes sociais. Por isso, forma, não foi tão difícil achar o balanço entre a precisão científica e humor.

“Não podia ser um catálogo de cientistas. O livro tem nossa cara, é o jeito que a gente fala. As pessoas gostam das piadinhas, dos memes”, diz Ana Bonassa. Segundo a bióloga, num contexto como o nosso, em que o público até diz que gosta de ciência, mas não sabe dizer o nome dos cientistas, a obra realmente pode ter um grande impacto.

Escrever determinados perfis e detalhar as pesquisas correspondentes foi especialmente desafiador para os autores, todos oriundos de áreas mais biológicas.

Exemplos desses casos são o do físico José Leite Lopes (1918-2016), estudioso da física de partículas, e o do matemático Artur Avila, ganhador da Medalha Fields, considerada o Prêmio Nobel da matemática. Aí foi necessário recorrer a especialistas para garantir que não estariam cometendo erros ou falando bobagens, dizem os autores.

O processo foi tão intenso que até mesmo um sentimento de revolta surgiu no meio do caminho, relata Araújo, como no caso de Sérgio Henrique Ferreira (1934-2016). “Ele fez uma pesquisa de base fantástica e, por falta de investimento e de foco em desenvolver tecnologia, o Brasil perdeu a chance de ter a patente bilionária de um dos medicamentos mais usados no mundo, o captopril.”

Os três autores também se ocuparam de fazer listas adicionais e incluí-las no livro. Uma é a de cientistas com contribuições filosóficas e estruturais ao panorama científico do país, como o sociólogo Florestan Fernandes (1920-1995) e a arqueóloga Niède Guidon.

Outra lista é a de cientistas que estão no auge de suas carreiras ou são dignos de entrar num possível volume dois, como a astrofísica Marcelle Soares-Santos e o epidemiologista Paulo Lotufo. Candidatos para uma eventual sequência não faltarão, já que a lista inicial para a obra lançada tinha mais de cem nomes, com trocas acontecendo até as últimas revisões antes
da impressão.

O livro ainda contém uma lista de divulgadores científicos cujo trabalho é endossado pelos autores e um guia rápido sobre método científico, que aborda, por exemplo, a importância da verificação das fontes das informações, além apontar as armadilhas nas quais as pessoas costumam cair.

“Não precisa ser cientista ou estar numa carreira científica para empregar o conhecimento científico na sua vida. A gente consegue mostrar os preceitos —como pensar cientificamente— e aplicar no dia a dia. O importante é criar esse pensamento crítico: duvidar, questionar, investigar”, diz Marise.

Super-heróis da ciência: 52 brasileiros e suas pesquisas

Avaliação:
  • Preço: R$ 54,90
  • Autor: Ana Cláudia Munhoz Bonassa, Cláudia Munhoz Bonassa, Laura Marise de Freitas e Renan Vinicius de Araújo; ilustrações de Bianca Nazari
  • Editora: HarperKids; 160 págs.

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