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Engenheiro e jornalista, é secretário-assistente de Redação da Folha, onde trabalha desde 1992

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Onde está Mad Max?

País está louco para arrumar a sua versão do personagem, que fale grosso e resolva tudo

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Mel Gibson em cena de 'Mad Max', de 1979 - Reprodução

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Anos de ditadura, pasteurização cultural e recessão desenfreada deixaram os adolescentes dos anos 80 com poucas opções. Quem não tivesse referências próximas, vindas de amigo, parente, professor ou até de viagens, absurdamente caras naquele momento, morria na praia dos Eduardos, onde só existia “escola, clube, cinema e televisão”.

A letra da música seria ainda mais precisa se, no lugar de cinema, estivesse VHS, videocassete ou vídeo, a então maravilha tecnológica que num par de anos saiu das casas ricas para todas as outras com a ajuda fundamental do comércio paraguaio e da pirataria.

Poucos parecem lembrar, mas o país era bem limitado nesses tempos, cinema era pouco e tinha fila, blockbuster significava “Trapalhões”, e filme de verdade saía de cartaz em questão de dias. 

De mão em mão ou pelas locadoras, o VHS trouxe à luz filmes bobocamente censurados nos anos 70 e o melhor dos 80 que acontecia lá fora e passava quase batido por aqui, como “Fome de Viver”, “Blade Runner” e, por que não, “Curtindo a Vida Adoidado”.

A lista de porcarias não era menor. Nela brilhou a série “Mad Max”, tão citada nesta semana sem gasolina. Não a bobagem que chegou aos cinemas magnificada por Hollywood, com Mel Gibson canastrão e Tina Turner, mas sim os dois primeiros episódios da série, com Mel Gibson apenas mau ator e carros de verdade.

A escassez não era protagonista no começo da história, mas já estava lá, insidiosa, começando a pesar. Max ainda era um policial arriscando tudo para cumprir seu dever, inclusive a própria família. Torna-se no final o vingador desesperançado das sequências, mas o mundo a sua volta não muda, simplesmente piora.

O Brasil só piora e está louco para arrumar um Mad Max, que fale grosso e resolva tudo. O general da reserva, com cuidado, lembra-se do clima de 1964. Parte da turma insiste em se lembrar de tempos que nunca existiram. 

Reveja o filme. É ruim.
 

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